Memorial para Bruno Pereira e Dom Phillips é recomendado no Amazonas
MPF e entidades propõem construção de memorial em homenagem aos assassinados Bruno Pereira e Dom Phillips, no Vale do Javari. Obra deve ser concluída até 2026.

O Ministério Público Federal (MPF), juntamente com diversas entidades indígenas e de imprensa, recomendou ao governo federal a construção de um memorial em homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips. Este espaço deverá ser erguido no local exato onde os dois foram assassinados, em 2022, às margens do Rio Itacoaí, no Vale do Javari, no Amazonas.
A recomendação se alicerça na decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que já havia solicitado a proteção de Bruno e Dom, assim como de outros membros da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). O pedido é apoiado por organizações como Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ARTIGO 19, Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados (OPI), Instituto Dom Phillips e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
O documento solicita que a Presidência da República e os ministérios da Defesa, da Casa Civil, de Direitos Humanos e Cidadania, e dos Povos Indígenas apresentem, em até 45 dias, um plano para a construção do memorial, que deve incluir a participação dos familiares. A obra precisa ser finalizada até 3 de julho de 2026, data que marca o encerramento da Mesa de Trabalho Conjunta da CIDH.
Adicionalmente, a proposta sugere que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheça o local do memorial como patrimônio cultural, devido ao seu significado simbólico e espiritual para os povos indígenas da região. A recomendação fundamenta-se na Medida Cautelar 449-22 da CIDH, que visa evitar novas violações de direitos humanos por parte do Estado brasileiro.
As investigações em torno do assassinato de Bruno e Dom revelaram que eles desapareceram durante uma expedição em busca de informações sobre a preservação da Amazônia. O caso, que chocou o Brasil e o mundo, teve desdobramentos que apontaram para falhas na atuação do Estado nas buscas e na proteção dos cidadãos. As autoridades têm 30 dias para responder se acatarão a recomendação para a construção do memorial que homenageará esses importantes defensores dos direitos humanos.
Fonte: Portal Amazônia