Menos de um terço das pessoas com deficiência tem emprego formal no Brasil
Em 2022, apenas 29% das pessoas com deficiência no Brasil estavam empregadas, conforme estudo do IBGE. A desigualdade em relação ao emprego é alarmante.

SÃO PAULO – Um estudo recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado na última sexta-feira (18), revelou que apenas 29% das pessoas com deficiência no Brasil estavam trabalhando em 2022. Essa taxa é significativamente inferior à de trabalhadores sem deficiência, onde mais da metade, ou 55,8%, exercia alguma atividade profissional. A diferença entre os dois grupos é de 26,8 pontos porcentuais.
A situação se agrava conforme a gravidade da deficiência. A pesquisa mostrou que a porcentagem de trabalhadores entre aqueles com deficiência profunda é ainda menor, caindo para 21,2%, enquanto as pessoas com deficiência severa têm uma taxa de 30,5%. O menor índice de ocupação foi observado entre indivíduos com dificuldades relacionadas a funções mentais, que apresentaram apenas 12,9% de taxa de emprego.
No recorte por gênero, as mulheres com deficiência enfrentam maiores desafios no mercado de trabalho. Apenas 24,4% delas estavam empregadas, em comparação com 35,4% dos homens com deficiência. Além disso, quando se considera as mulheres em domicílios com crianças com deficiência, o nível de ocupação é de 43,1%, o que é 12 pontos menor do que o das mulheres em lares sem crianças com deficiência.
A pesquisa também revelou desigualdades raciais. Entre as mulheres com deficiência, 25,6% das pretas ou pardas estavam empregadas, em contraste com 22,7% das brancas. O mesmo padrão foi identificado entre os homens, onde 36,0% dos pretos ou pardos estavam ocupados, em comparação a 34,6% dos brancos.
Em termos financeiros, os dados são preocupantes. A renda média mensal dos trabalhadores com deficiência foi de R$ 2.053 em 2022, o que representa cerca de 71% do salário médio dos profissionais sem deficiência, que era de R$ 2.890. Quando observamos a renda total das famílias que incluem pessoas com deficiência, ela atinge R$ 3.626 mensais, correspondendo a 76,4% do rendimento das famílias sem pessoas com deficiência, que era de R$ 4.748.
Fonte: Amazonas Atual