Mestre Beto: Tradicional Artesão do Miriti no Pará e seu Legado Familiar
Mestre Beto, de Abaetetuba, transforma o miriti em arte e renda, mantendo tradições familiares e ligando sua produção ao Círio de Nazaré.

Antes de se converter em brinquedos e artesanato, como canoas e pássaros, o miriti, uma palmeira típica da Amazônia, é trabalhado por aqueles que dominam a arte de moldá-lo. Em Abaetetuba, no Pará, essa habilidade é transmitida de geração para geração na família de José Roberto Ferreira, conhecido como Mestre Beto, que mantém vivas tradições que aprendeu na infância.
A história de Mestre Beto com o miriti está intrinsecamente ligada ao Círio de Nazaré, uma das festas religiosas mais importantes do Pará. Durante anos, a produção de brinquedos começava em agosto, culminando na venda das peças em Belém, onde milhares de romeiros e visitantes se reuniam para celebrar a festividade.
A bioeconomia amazônica é exemplificada na trajetória de Beto, refletindo a relação direta entre a extração de matéria-prima da floresta e o conhecimento transmitido entre gerações. Para ele, o miriti representa essa conexão e não pode ser dissociado da história de sua família, que está prestes a completar 90 anos dedicados a essa atividade.
Atualmente, a rotina de Mestre Beto se estendeu além do período que antecede o Círio. Ele não apenas produz e vende as peças, mas também ensina artesanato. “O miriti é minha vida. O maior orgulho que eu tenho são meus filhos e a minha atividade”, destaca Beto, que leva o material consigo mesmo quando não está em sua banca.
O miriti, ou buriti, é uma palmeira amplamente utilizada na Amazônia, e seu material leve é ideal para a confecção de brinquedos e itens decorativos. Beto enfatiza a importância de valorizar cada pedaço de miriti, tratando-o como uma joia, e defende a necessidade de políticas públicas que incentivem o cultivo e a preservação da palmeira, garantindo assim um futuro sustentável para o artesanato na região.
Fonte: Portal Amazônia