MPAM investiga abusos em saques no Bradesco Expresso contra indígenas
O Ministério Público do Amazonas investiga denúncias de cobranças abusivas no Bradesco Expresso, afetando principalmente a comunidade indígena Ticuna.

MANAUS - O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) iniciou uma investigação para apurar denúncias de cobranças indevidas e práticas abusivas no correspondente bancário Bradesco Expresso, situado na Vila Santa Rita do Weill, em São Paulo de Olivença, no interior do Amazonas.
Os principais afetados por essas irregularidades são os moradores da região, especialmente os indígenas Ticuna da Aldeia Magüta/Campo Alegre, que está localizada na Terra Indígena Évare I. A denúncia foi formalizada pela primeira cacica Luciana Costodio Marques durante uma visita institucional à comunidade em julho de 2026.
O caso foi encaminhado ao MPAM pelo Ministério Público Federal (MPF), que repassou documentos relevantes. Entre as práticas denunciadas estão cobranças de taxas para a realização de saques, imposição de compras no local como condição para liberar o dinheiro e a entrega de apenas uma parte do valor solicitado pelos clientes.
De acordo com o promotor de Justiça João Ricardo Fonseca e Lima Tisse Garcia, essas ações podem infringir o Código de Defesa do Consumidor, que proíbe a venda casada e a cobrança de valores excessivos. Se confirmadas, as práticas denunciadas também podem configurar crimes contra a economia popular, estelionato ou apropriação indébita.
O MPAM já solicitou à 52ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) a abertura de um inquérito policial dentro do prazo de 30 dias. A Polícia Civil ficará responsável por identificar os responsáveis pelo correspondente bancário, ouvir a cacica e coletar depoimentos dos consumidores afetados, com a assistência de um intérprete da língua Ticuna. O Banco Bradesco S.A. também foi notificado e deverá fornecer, em até 30 dias, informações sobre o contrato do correspondente, além de relatórios de reclamações e medidas para ressarcir valores cobrados de forma indevida.
Fonte: Amazonas Atual