MPAM investiga assistência a crianças Yanomami desnutridas no Amazonas
O Ministério Público do Amazonas abriu um inquérito para investigar a desnutrição grave de crianças Yanomami, em Santa Isabel do Rio Negro, entre 2025 e 2026.

A falta de acompanhamento nutricional e assistencial para crianças indígenas Yanomami em situação de desnutrição grave, localizada em Santa Isabel do Rio Negro, levou o Ministério Público do Amazonas (MPAM) a iniciar um inquérito civil. A investigação se concentra em casos registrados entre os anos de 2025 e 2026, conforme a Notícia de Fato (NF) nº 266.2026.000004, elaborada pela promotora de Justiça Taize Moraes Siqueira.
O inquérito tem como objetivo examinar os quadros clínicos das crianças atendidas no Hospital Irmã Edwiges Maria Sikorska (HIEMS) e verificar as ações implementadas pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami. Além disso, a investigação busca assegurar que o tratamento seja mantido após a alta hospitalar das crianças.
Durante as diligências iniciais, foram coletados relatórios médicos e sociais que revelaram que várias crianças Yanomami apresentavam diagnóstico de desnutrição proteica-calórica grave. Muitas delas também enfrentavam doenças respiratórias graves, como pneumonia e bronquiolite, o que exigiu a transferência imediata para hospitais na capital, Manaus, devido à limitação dos serviços de saúde na região.
As informações coletadas indicam uma possível descontinuidade da assistência após o retorno das crianças às suas aldeias. A apuração sugere que a falta de monitoramento nutricional contínuo e de visitas regulares por equipes de saúde indígena pode estar contribuindo para que essas crianças retornem a condições de vulnerabilidade alimentar, que foram a causa inicial de suas doenças.
A ausência de resposta do DSEI Yanomami às solicitações da Promotoria de Justiça também motivou a abertura do inquérito. Segundo a portaria do MPAM, o DSEI não forneceu informações técnicas e documentos requisitados nos meses de janeiro, março e maio deste ano, tornando necessário um procedimento investigativo mais abrangente. A promotora Taize Siqueira enfatizou a importância dessa investigação para garantir a continuidade do cuidado às crianças e prevenir novos casos de desnutrição.
Fonte: D24AM