MPF solicita reforço na Polícia Federal em Tabatinga, Amazonas
O Ministério Público Federal pediu à Justiça ações urgentes para aumentar o efetivo da Polícia Federal em Tabatinga, devido à falta de servidores e sobrecarga de trabalho.

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para solicitar medidas imediatas que visam reforçar o efetivo da Delegacia da Polícia Federal em Tabatinga, no interior do Amazonas. A unidade, que se localiza na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, enfrenta uma crise de pessoal, que tem resultado em acúmulo de investigações e risco de paralisação de serviços essenciais.
Segundo informações do MPF, o quadro da delegacia sofreu uma drástica redução no número de delegados, que caiu de cinco em 2023 para apenas dois em 2026. Essa diminuição acentuou a sobrecarga de trabalho, fazendo com que o número de inquéritos em andamento aumentasse de 95 em 2024 para 141 em março de 2026, resultando em uma média de mais de 70 procedimentos por delegado.
A falta de servidores não afeta apenas os delegados, mas também outras funções dentro da delegacia, como escrivães e agentes. Essa situação crítica tem gerado atrasos e interrupções em investigações importantes, incluindo um inquérito sobre o desaparecimento de crianças indígenas que, segundo relatos, teriam sido levadas para fora do Brasil.
No contexto da ação, o MPF também questiona a distribuição do efetivo da Polícia Federal na região. Em junho de 2026, foram anunciadas novas delegacias em Tefé e Humaitá, no Amazonas, e em Itaituba, no Pará, utilizando servidores recém-formados. O MPF ressalta que, embora a ampliação da presença da Polícia Federal seja benéfica, isso não deve comprometer as operações de unidades estratégicas como a de Tabatinga.
Entre os pedidos feitos à Justiça, o MPF requereu que a União apresente, em até 15 dias, um diagnóstico detalhado sobre a situação atual da Delegacia da Polícia Federal em Tabatinga, incluindo o número de servidores ativos. Além disso, o MPF solicita que o efetivo mínimo de cinco delegados seja restabelecido em até 30 dias e que medidas emergenciais sejam adotadas para garantir a continuidade dos serviços essenciais e a tramitação dos inquéritos paralisados há mais de 60 dias. Caso haja descumprimento, o MPF pede uma multa diária de R$ 5 mil. Por fim, é solicitado um plano definitivo em até 180 dias para dimensionar adequadamente o efetivo necessário para o funcionamento da delegacia na tríplice fronteira.
Fonte: Portal Amazônia