Mudanças Climáticas Atingem Áreas Conservadas da Amazônia, Revela Estudo
Um novo estudo aponta que extremos climáticos têm afetado até as regiões mais preservadas da Amazônia, destacando a urgência de ações globais para conter as emissões de gases de efeito estufa.

Os impactos das mudanças climáticas na Amazônia estão se intensificando de maneira rápida e desigual, afetando até mesmo as áreas mais conservadas da floresta. Isso foi evidenciado no artigo "Rapid increase of climate extremes reveals new areas of concern in Amazonia", publicado na revista Communications Earth & Environment, que contou com a colaboração de pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
De acordo com o estudo, a região sul do bioma, conhecida como o "arco do desmatamento", é onde se concentra a maior perda de vegetação nativa e onde se observa o aquecimento mais acelerado. Entretanto, a região centro-norte da Amazônia, que possui maior cobertura florestal, é a que está vivenciando os fenômenos climáticos mais extremos.
Os pesquisadores ressaltam que essa realidade evidencia como a crise climática global impacta até mesmo as áreas mais preservadas da floresta, que estão distantes dos focos de desmatamento no Brasil. "A diferença entre a área com maior desmatamento e as locais mais afetadas por extremos climáticos demonstra que os grandes países emissores de gases de efeito estufa têm uma responsabilidade crescente no desequilíbrio social e ecológico da Amazônia", afirmam os cientistas.
O estudo envolveu 31 instituições de seis países, incluindo universidades renomadas como Oxford, Yale e Columbia, além de importantes centros de pesquisa brasileiros como o INPE e o INPA. Para chegar aos resultados, foram analisados os picos de temperatura e seca em diversas regiões da Amazônia, permitindo identificar quando e onde ocorreram os fenômenos climáticos mais críticos.
Os dados mostram que a região central da floresta apresenta variações climáticas 2,34 vezes maiores do que a média do bioma, o que está associado a períodos excepcionais de calor e seca. Com esses eventos climáticos extremos, a biodiversidade da Amazônia está em risco, o que torna fundamental não apenas a preservação da floresta, mas também a redução das emissões globais para assegurar a estabilidade do ecossistema.
Fonte: Portal Amazônia