Mudanças no STJ e STF impactam investigações criminais de empresas
Decisões do STJ e STF alteram a abordagem de investigações criminais empresariais, exigindo mais rigor e individualização nas condutas.

Manaus - As recentes deliberações do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) estão transformando a forma como as garantias processuais são aplicadas no âmbito do Direito Penal Empresarial. Essas mudanças não apenas revisam teses jurídicas, mas também têm um impacto significativo na maneira como empresas, executivos e seus advogados se preparam para enfrentar investigações e processos criminais complexos.
De acordo com o advogado criminalista Thyago Mendes, sócio fundador do Munhoz, Mendes & Ponte Advogados Associados (MMP Advogados), a principal inovação observada nos últimos anos é a adoção de um entendimento mais rigoroso sobre a legalidade das investigações. Isso inclui a necessidade de fundamentação robusta para medidas que possam restringir direitos dos investigados, afirma ele.
Os tribunais superiores têm enfatizado que ações como buscas e apreensões, quebras de sigilo e interceptações telefônicas não podem ser aplicadas de forma automática ou genérica, especialmente em investigações envolvendo estruturas empresariais complexas. Mendes explica que a exigência de individualização das condutas é um aspecto que ganha destaque na jurisprudência atual, ou seja, o simples cargo ocupado por um executivo não é suficiente para sua responsabilização penal.
Além disso, Mendes ressalta que a preparação para investigações deve começar muito antes da ação das autoridades. Empresas que mantêm uma boa organização documental, com controles internos eficazes e registro claro de suas decisões, estão em uma posição mais vantajosa. Isso se torna crucial, pois inconsistências ou falhas podem ser detectadas mesmo antes de qualquer contato oficial com as empresas.
Por fim, acompanhar a evolução da jurisprudência se tornou uma parte essencial da estratégia jurídica em casos complexos no Direito Penal Empresarial. Mendes enfatiza que conhecer a lei é apenas um aspecto do trabalho; a estratégia deve ser moldada com base na interpretação dos tribunais superiores, especialmente em questões envolvendo validade de provas e limites da atuação investigativa. Essa capacidade de adaptação é vital para garantir a defesa adequada dos interesses dos clientes.
Fonte: D24AM