Mulheres Indígenas Debatem Gestão Territorial em Brasília
Durante o Projeto Dabucury, mulheres indígenas de diversos povos discutiram sua participação na gestão de territórios e na implementação da PNGATI.

Entre os dias 14 e 17 de setembro, Brasília (DF) foi palco de um importante encontro que reuniu mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia. A formação intitulada "Do Corpo à Terra: Gestão Territorial e Ambiental sob o olhar das mulheres indígenas da Amazônia" foi promovida pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), dentro do escopo do Projeto Dabucury, com o apoio do Fundo Amazônia/BNDES.
O evento focou na reflexão sobre a participação das mulheres nas práticas de gestão territorial, buscando entender como elas se envolvem na elaboração e implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI). Questões como o reconhecimento das ações previstas e a inclusão das vozes femininas nas decisões foram centrais nas discussões, permitindo que as participantes compartilhassem suas experiências e desafios.
Além da gestão territorial, as mulheres também debateram temas como liderança, organização comunitária e autonomia econômica. As trocas de experiências possibilitaram a identificação de problemas comuns e o aprendizado sobre estratégias que já foram eficazes em outras comunidades. Olga Cukrékwoyj Ribeiro Costa Krahô-kanela Apoinkk, por exemplo, ressaltou a importância do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) para a organização comunitária e o envolvimento nas decisões locais.
Iolane Borari, do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns, destacou a necessidade de valorizar o conhecimento das mulheres mais velhas e a criação de uma associação formal de mulheres. Para Ana Mura, da Organização de Lideranças Indígenas Mura, a construção coletiva do PGTAM foi um passo significativo para fortalecer a proteção do território e as ações comunitárias. As participantes também foram incentivadas a rever documentos existentes, para garantir que suas perspectivas fossem incluídas.
O evento também abordou a violência contra as mulheres e a importância de criar espaços seguros e de fortalecer as redes comunitárias. Viviane Hermida, consultora da formação, enfatizou que a violência política de gênero deve ser combatida para assegurar a participação plena das mulheres. O encontro foi uma oportunidade para reafirmar que cuidar dos corpos das mulheres é fundamental para a proteção dos territórios. Com a participação ativa das mulheres, o futuro esperado é de igualdade, respeito e autonomia nas decisões sobre suas comunidades.
Fonte: Portal Amazônia