Mulheres indígenas transformam realidades no Acre através da coletividade
Mulheres indígenas avançam na construção coletiva e na defesa de seus direitos no Acre, destacando-se em espaços de poder e preservação cultural.

Mulheres indígenas têm se destacado na construção de um futuro melhor por meio da articulação de saberes e decisões coletivas. No Festival Kãda Shawã Shawawa, a secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, ressalta que a presença feminina em espaços de liderança já não é uma exceção, mas parte de um movimento significativo em curso.
Segundo Arara, as mulheres indígenas estão se posicionando de maneira ativa, defendendo direitos e promovendo a participação em todas as esferas. "Seja dentro da aldeia ou fora dela, estamos defendendo direitos, a participação e a escuta, para que a nossa voz seja alcançada em todos os espaços", afirma. Essa transformação já se reflete na presença de mulheres como conselheiras, artesãs e agricultoras, que fortalecem a segurança alimentar nas comunidades.
O reconhecimento das mulheres indígenas vai além da simples presença em espaços de poder. A artesã Júlia Yawanawa, da Terra Indígena Rio Gregório, destaca que os povos originários sempre foram protagonistas de suas histórias. "Valorizar os povos indígenas é respeitar a nossa existência", diz Júlia, que acredita que esse reconhecimento deve incluir condições concretas de vida e permanência nos territórios.
Para Júlia, a relação com a floresta é essencial. "Um indígena sem a floresta é como um indígena perdido", afirma, ressaltando que a luta pela sobrevivência e pela valorização cultural é constante. Assim, muitas mulheres têm construído suas trajetórias educacionais, ocupando espaços de liderança nas escolas e comunidades.
A trajetória de Edileuda Shanenawa, coordenadora da Organização dos Professores Indígenas do Acre (Opiac), exemplifica esse avanço. Com mestrado em Artes Cênicas, ela destaca que a presença feminina indígena em espaços institucionais é uma realidade em transformação. "Hoje, há mulheres indígenas que seguem estudando e se aperfeiçoando, contribuindo para que possamos assumir cargos e efetivar a nossa presença nesses espaços", finaliza Edileuda.
Fonte: Portal Amazônia