Neurologista alerta sobre a importância de avaliações criteriosas para TDAH infantil
O neurologista Fernando Menezes destaca a necessidade de cautela no diagnóstico de TDAH em crianças menores de cinco anos, enfatizando a avaliação clínica adequada.

Manaus - O diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) em crianças com menos de cinco anos deve ser feito com cautela e por meio de uma avaliação clínica rigorosa. Essa é a orientação do médico neurologista Fernando Menezes, que é mestre em Ciência do Comportamento e docente de pós-graduação em neuropediatria da Afya Educação Médica. Durante um módulo ministrado no último final de semana, ele abordou Transtornos do Aprendizado e TDAH para os alunos da especialização.
Segundo o especialista, os comportamentos observados na fase de desenvolvimento neurológico nos primeiros cinco anos de vida podem não sinalizar, necessariamente, a presença de um transtorno. Fernando Menezes explica que, especialmente entre as crianças pré-escolares, é imprudente suspeitar de TDAH antes dos cinco anos, e ainda mais até os dois anos, devido à imaturidade do sistema nervoso central, que pode resultar em comportamentos transitórios, muitas vezes causados por falta de estímulos adequados.
O neurologista também enfatiza que os pais desempenham um papel crucial ao oferecer os estímulos necessários para o desenvolvimento saudável das crianças. Nessa faixa etária, a Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil considera o diagnóstico de TDAH desafiador e não recomendado. Ele alerta que é fundamental distinguir entre dificuldades escolares e transtornos do neurodesenvolvimento, afirmando que um diagnóstico não deve ser baseado apenas na percepção subjetiva do profissional ou no desempenho escolar insatisfatório.
Fernando Menezes destaca que um diagnóstico preciso deve ser fundamentado em critérios objetivos, baseados em estudos validados internacionalmente. Para isso, é essencial realizar uma anamnese detalhada e uma avaliação adequada. “Apenas um baixo rendimento escolar não é sinônimo de transtorno”, ressalta o neurologista, sublinhando a importância de um raciocínio clínico crítico na avaliação de diagnósticos relacionados a transtornos do neurodesenvolvimento.
A diretora da Afya Educação Médica, Suelen Falcão, acrescenta que a especialização em Neuropediatria é fundamental para a qualificação dos profissionais, especialmente diante da crescente demanda por especialistas na área no Amazonas. Ela enfatiza que a formação permite uma melhor preparação para atender às necessidades das unidades de saúde e dos pacientes, integrando conteúdos teóricos e práticos sobre avaliação e acompanhamento de condições neurológicas na infância.
Fonte: D24AM