Nova tecnologia de motores causa atrasos na produção de aviões
O setor aéreo enfrenta atrasos na produção de motores, impactando a fabricação de aviões e gerando perdas significativas às companhias aéreas.

SÃO PAULO – O setor aéreo, que já enfrentou desafios com a falta de peças durante a pandemia, agora lida com novos problemas relacionados à produção de motores. A situação se agrava devido à introdução de novos modelos de motores de aeronaves, que ainda não atingiram um nível de tecnologia maduro e exigem manutenção mais frequente.
As consequências desse cenário incluem filas nas oficinas de manutenção, onde serviços de desmontagem e remontagem de motores estão levando até 300 dias para serem concluídos, em comparação com o tempo normal de 120 dias. De acordo com a Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo), essa situação resultou em um prejuízo estimado de US$ 11 bilhões apenas no ano passado.
As companhias aéreas têm sido forçadas a operar aeronaves mais antigas, que consomem mais combustível, enquanto os jatos novos permanecem parados. Um estudo da Iata revelou que, em março de 2025, 648 aeronaves, ou 28% da frota global equipada com novos motores da Pratt & Whitney, estavam fora de operação aguardando manutenção. Atualmente, esse número caiu para 23%, mas a tendência é que volte a crescer com a entrega de novos jatos prometida pelas fabricantes.
Em 2024, foram entregues dois mil motores de novos modelos, o que permitirá que mais mil aviões sejam colocados em operação. As previsões indicam que entre 2030 e 2040, esse número deverá aumentar para 3.700 motores por ano, o que elevará significativamente a demanda por manutenção. A Iata estima que o número de visitas às oficinas de reparo aumentará de 600 a 800 em 2025 para mais de 5 mil até 2040.
No Brasil, as companhias aéreas Latam, Azul e Gol enfrentam problemas semelhantes, com um total de 60 aviões parados, representando 12% da frota. A Latam possui 14 de seus 174 jatos fora de operação, enquanto a Gol tem 10 de 146, e a Azul, com 170 aeronaves, apresenta 37 aviões parados. Os motores que causam esses problemas são os Leap, da CFM International, e os GTF, da Pratt & Whitney, ambos com uma década de mercado, mas ainda enfrentando desafios tecnológicos que dificultam sua eficiência e durabilidade.
Fonte: Amazonas Atual