Novas variedades de cacau no Peru prometem resistência climática e pragas
Estudo revela quatro linhagens de cacau peruanas, aumentando a diversidade genética e potencial de adaptação às mudanças climáticas.

O pesquisador Danilo Bustamante, da Universidade Nacional Toribio Rodríguez de Mendoza, no Amazonas, anunciou a descoberta de quatro novas variedades de cacau com características genéticas que comprovam sua origem puramente peruana. Com isso, o total de variedades locais identificadas sobe para 14, destacando a importância dessas descobertas para a ciência e para a indústria do chocolate.
Em entrevista à Agência Andina de Notícias, Bustamante explicou que a identificação dessas novas variedades permitirá um melhor entendimento sobre suas capacidades de adaptação a condições climáticas adversas, como seca e radiação solar. Além disso, essa pesquisa vai possibilitar a análise de características físicas e químicas, essenciais para a produção de chocolate, como sabor, aroma, cor e textura do fruto do cacau.
Os resultados do estudo foram publicados na revista acadêmica PLOS ONE e têm suas raízes em uma pesquisa iniciada em 2018. Bustamante coletou amostras de cacau em diversas províncias, incluindo Amazonas, San Martín, Cajamarca, Ayacucho, Cusco e Piura, totalizando mais de 390 amostras que confirmaram a existência das novas linhagens genéticas.
As novas variedades encontradas foram nomeadas de acordo com suas regiões de origem: o cacau do Amazonas é chamado de cacau Awajún, o de Piura é conhecido como cacau Porcelana, enquanto os de Cusco e Ayacucho foram designados como Chuncho 1 e Chuncho 2, respectivamente. Bustamante ressaltou que essas linhagens são exclusivas do Peru, sem estudos que confirmem sua presença em outros países.
A descoberta dessas variedades é crucial para entender sua resistência aos efeitos das mudanças climáticas e pragas, como o fungo da monilíase. O pesquisador observou que eventos climáticos, como o fenômeno El Niño, podem afetar significativamente a produção de cacau, resultando em aumento de preços. O próximo passo do estudo envolve obter o genoma completo dessas variedades para identificar os genes que conferem suas características únicas.
Fonte: Portal Amazônia