Novo gênero de caranguejo é descoberto no Parque Nacional do Pico da Neblina
Pesquisadores identificam nova espécie de caranguejo, evidenciando a importância dos povos indígenas na preservação da biodiversidade.

A descoberta de um novo gênero de caranguejo no Parque Nacional do Pico da Neblina destaca a relevância dos povos indígenas, especialmente os Yanomamis, e das unidades de conservação para a preservação da biodiversidade. O caranguejo, denominado Okothelphusa trefauti, foi identificado por pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo durante uma expedição científica realizada em 2022.
Localizado no extremo norte da Amazônia brasileira, o Parque Nacional do Pico da Neblina, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), possui uma área de 2,3 milhões de hectares que se sobrepõe a terras Yanomami. A descoberta de um novo gênero de caranguejo de água doce reforça a importância dos povos indígenas e da conservação para a biodiversidade única do local.
O nome do gênero Okothelphusa é uma combinação de “Oko”, que significa caranguejo na língua yanomami, e “thelphusa”, que se refere a caranguejos de água doce. A espécie foi batizada em homenagem ao herpetólogo Miguel Trefaut Rodrigues, que liderou a equipe de pesquisa na expedição.
O chefe do Parque, Cassiano Gatto, enfatiza que a biodiversidade do parque ainda é amplamente desconhecida. “A gente ainda não conhece toda a biodiversidade existente. Cada nova expedição descobre formas de vida novas e únicas e, devido à grande dimensão do parque, acreditamos que encontraremos muito mais”, afirma Gatto, ressaltando que regiões mais altas podem conter até 30% de espécies que não existem em nenhum outro lugar do planeta.
Os desafios impostos pela mudança climática e pela exploração ilegal, como o garimpo, ameaçam a rica biodiversidade da região. A descoberta do Okothelphusa trefauti não só evidencia a riqueza biológica do Parque Nacional do Pico da Neblina, mas também reforça a importância da colaboração entre a ciência e os saberes tradicionais dos Yanomami para a conservação da Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia