Novo guia protege direitos de crianças indígenas no Amazonas
MPF lança cartilha para orientar sobre acolhimento de crianças indígenas em famílias substitutas, respeitando sua cultura.

O Ministério Público Federal (MPF) lançou uma cartilha informativa que visa orientar magistrados, promotores de Justiça e servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) sobre os procedimentos adequados para o acolhimento de crianças e adolescentes indígenas em famílias substitutas. O guia tem como objetivo garantir o respeito à diversidade cultural e à legislação vigente.
A elaboração deste guia é resultado de uma colaboração entre diversas instituições, incluindo o 15º Ofício do MPF no Amazonas, o Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Infância e Juventude (Caoij) do MPAM, a Corregedoria-Geral de Justiça do TJAM e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O documento apresenta uma linguagem jurídica acessível e reúne informações essenciais em um único local.
Entre os conteúdos do guia, estão o marco legal aplicável, alertas sobre a identidade étnica, fluxos de processo e um checklist prático que pode ajudar os profissionais a evitar erros frequentes. Além disso, inclui contatos diretos das Coordenações Regionais da Funai no estado, facilitando a comunicação, mesmo em municípios sem sede da instituição.
A necessidade da criação da cartilha surgiu após o MPF identificar casos recorrentes de crianças indígenas sendo colocadas em famílias substitutas sem a prévia notificação da Funai e a realização dos estudos antropológicos exigidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O ECA estabelece, em seu artigo 28, §6º, que é crucial preservar a identidade cultural da criança e priorizar a permanência em seu grupo étnico ou comunitário.
A procuradora da República Janaina Mascarenhas ressalta que a intervenção do MPF nesse contexto visa tutelar os direitos coletivos dos povos originários, destacando que a multiplicação desses casos sem o devido filtro intercultural representa uma falha estrutural. Com a publicação do guia, espera-se que os órgãos do sistema de justiça possam realizar tramitações mais ágeis e humanizadas, respeitando os direitos culturais dos indígenas no Amazonas, que abriga a maior população indígena do Brasil.
Fonte: Portal Amazônia