OAB-SP busca cela especial para Deolane, mas ignora outros advogados
A OAB-SP requer uma Sala de Estado-Maior para Deolane Bezerra, enquanto outros 20 advogados permanecem em celas comuns. A situação levanta questionamentos sobre desigualdade no tratamento.

SÃO PAULO – A Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) está buscando a concessão de uma Sala de Estado-Maior para a influenciadora e advogada Deolane Bezerra dos Santos, que está presa desde maio sob a acusação de lavagem de dinheiro para a cúpula do PCC. No entanto, essa ação contrasta com a postura da OAB-SP em relação a outros advogados que também estão detidos sob suspeita de envolvimento em organizações criminosas.
Atualmente, conforme um levantamento da Secretaria da Administração Penitenciária, existem 20 advogados em prisão, todos ocupando celas comuns nas penitenciárias de São Paulo. A OAB-SP declarou que presta assistência a todos os advogados que solicitam apoio, mas não tomou a mesma iniciativa para transferir os demais advogados para uma Sala de Estado-Maior, como fez no caso de Deolane.
Há uma semana, a OAB-SP interveio como 'amigo da corte' em um habeas corpus que busca transferir Deolane do Complexo Penal de Tupi Paulista, onde está detida, para uma Sala de Estado-Maior. Este ambiente, que não é comparável a uma cela comum, é caracterizado por condições mais favoráveis, incluindo banheiro privativo e ventilação adequada.
Investigadores da Operação Vérnix, que resultou na prisão de Deolane, afirmam que não há Salas de Estado-Maior disponíveis para advogados em prisão preventiva no estado de São Paulo. Além disso, eles observam que duas advogadas já estavam em prisão preventiva no Complexo Penal de Tupi Paulista antes de Deolane e não receberam o mesmo tipo de assistência da OAB-SP.
No dia 18 de setembro, o juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara Criminal de Presidente Venceslau, aceitou a denúncia do Ministério Público contra Deolane e outros envolvidos, incluindo o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. A defesa de Deolane, liderada pelo advogado Aury Lopes Jr., nega as acusações de ligação com o crime organizado, enquanto a OAB-SP suspendeu a influenciadora de suas atividades profissionais, com um prazo inicial de 90 dias.
Fonte: Amazonas Atual