Oito em cada dez mulheres no Brasil relatam ter sofrido violência
Uma pesquisa revelou que 80% das mulheres brasileiras já enfrentaram algum tipo de violência, com a psicológica sendo a mais recorrente. A insegurança impacta suas rotinas diárias.

Uma pesquisa recente revelou que oito em cada dez brasileiras já sofreram algum tipo de violência. Entre as diferentes formas de agressão, a violência psicológica é a que mais afeta essas mulheres. O estudo, intitulado “Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência”, foi realizado pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva e divulgado na quarta-feira (16).
De acordo com a pesquisa, 98% das mulheres afirmam adotar estratégias de proteção no dia a dia devido a esse cenário preocupante. As situações de insegurança mais frequentemente mencionadas incluem a violência doméstica, temida por 60% das entrevistadas, e locais como pontos de ônibus e estações, citados por 42% delas.
Além disso, 41% das mulheres se sentem inseguras em bares, festas e baladas, enquanto 33% relatam medo ao utilizar transportes públicos. Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, ressaltou a gravidade desses dados, afirmando que as mulheres precisam estar em constante vigilância sobre onde vão e com quem estão.
A especialista também destacou que mulheres negras e trans enfrentam um risco ainda maior de violência, enfatizando a necessidade de uma educação voltada para a não discriminação e para a promoção da paz. Isso indica que a violência não é homogênea e que a vulnerabilidade varia conforme fatores sociais e raciais.
Em relação às estratégias para evitar situações de risco, muitas mulheres relataram ter mudado seus hábitos de lazer ou optado por meios de transporte em vez de caminhar, mesmo para distâncias curtas. O impacto da violência também se reflete em suas vidas profissionais e acadêmicas, com 45% afirmando ter perdido oportunidades de trabalho ou estudo por medo. Outras medidas incluem o uso de aplicativos de segurança e itens de proteção pessoal, como sprays de pimenta. Para enfrentar essa realidade, 95% das entrevistadas acreditam na importância de ampliar os canais de denúncia e apoio às vítimas.
Fonte: D24AM