Orcas revelam técnica de caça inovadora em estudo inédito nos EUA
Pesquisadores documentam orcas utilizando estratégia de caça para despedaçar peixes-lua no Golfo da Califórnia, uma técnica inédita que surpreendeu a comunidade científica.

No último dia 22 de novembro, a revista científica Frontiers in Ethology publicou um estudo que apresenta uma estratégia de caça inédita adotada por orcas no Golfo da Califórnia, nos Estados Unidos. Pela primeira vez, pesquisadores documentaram os animais utilizando uma técnica coordenada para fragmentar peixes-lua gigantes, conhecidos por serem um dos maiores peixes ósseos do oceano.
As observações foram realizadas em dois episódios distintos, ocorridos em julho de 2024 e setembro de 2025. Durante esses eventos, as equipes de pesquisa flagraram uma orca segurando a carcaça de um peixe-lua-rabudo (Masturus lanceolatus), que pode ultrapassar três metros de comprimento e pesar quase duas toneladas, enquanto um segundo membro do grupo avançava em alta velocidade para colidir contra o animal.
Após a colisão, um filhote aproveitou os pedaços menores do peixe, enquanto os adultos se alimentavam das partes maiores da carcaça. Os pesquisadores acreditam que essa cena demonstra uma ação coordenada entre as orcas, onde uma delas estabiliza a presa enquanto a outra executa o impacto, facilitando o acesso dos filhotes ao alimento e promovendo aprendizado e interação social.
A principal autora do estudo, Kathryn Ayres, cientista da organização Beneath The Waves, sugere que a fragmentação do peixe em partes menores pode ser uma forma de cuidado parental, tornando a alimentação mais acessível para os filhotes. Ela ressalta que esse tipo de compartilhamento de alimento já foi observado em outras interações entre orcas e não descarta que esse comportamento tenha também um aspecto lúdico.
Além disso, os pesquisadores estão investigando se a fragmentação da carcaça do peixe-lua proporciona outros benefícios. O revestimento gelatinoso do peixe abriga uma gama de microrganismos, e ao romper esse tecido, as orcas podem facilitar a dispersão desse microbioma na água, o que poderia oferecer vantagens nutricionais e influenciar o sistema imunológico. O estudo destaca a necessidade de novas filmagens para entender melhor a frequência e a dinâmica dessa técnica nas orcas.
Fonte: D24AM