Pais e moradores denunciam condições sanitárias em escolas após morte de professora em Manaus
Pais e moradores denunciam falta de manutenção e higiene em escolas municipais de Manaus após a morte da professora Patrícia Almeida, com laudo médico apontando histoplasmose como causa.

Pais e moradores da zona norte de Manaus denunciaram ao Grupo Diário de Comunicação (GDC) preocupações com a infraestrutura e higiene das escolas municipais após a morte da professora Patrícia Almeida de Lima, 49 anos, que lecionava no 3º Ano A da Escola Municipal Esmeralda Soares Neves.
O laudo médico apontou como causas da morte de Patrícia Almeida histoplasmose disseminada, aplasia de medula e septicemia. Durante o tratamento, houve suspeita de câncer. A histoplasmose é uma infecção fúngica que pode ser adquirida pela inalação de esporos presentes em fezes de aves e morcegos. A associação direta do caso aos pombos foi feita pela comunidade, mas não confirmada oficialmente.
Vídeos e imagens divulgados nas redes sociais mostraram o topo do prédio da escola com grande quantidade de pombos e acúmulo de sujeira, especialmente na área das caixas d’água. Moradores relatam que a situação reflete anos de falta de manutenção e que o problema se repete em outras escolas do bairro União da Vitória.
Miguel Rodrigues, morador local, afirmou que a falta de higiene não se restringe a uma única unidade e mencionou ter observado situações semelhantes em outras escolas do bairro. Ele relatou preocupação com água empoçada e falta de atenção das autoridades. Michael Guerra, pai de uma aluna, expressou preocupação com a vulnerabilidade das crianças e relatou dificuldades dos pais em obter exames preventivos para os filhos.
Alda Souza, mãe de uma estudante, relatou que sua filha passou mal após consumir água da escola. Ela afirmou que mesmo com possíveis melhorias, permanece a sensação de insegurança. Silvana Cardoso, mãe de aluna da Escola Municipal Antônia Medeiros da Silva, também relatou cenário semelhante de falta de manutenção em outras escolas da região.
Em nota, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) informou que não foi oficialmente notificada sobre o caso da professora. Como medida preventiva, a FVS-RCP solicitou à Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa-Manaus) a realização de investigação epidemiológica para verificar a existência de outros casos ou evidências relevantes para a saúde pública.
A FVS-RCP esclareceu ainda que doenças como histoplasmose, criptococose, psitacose (ornitose) e salmonelose, popularmente associadas aos pombos, não integram a Lista Nacional de Notificação Compulsória, e por isso não geram notificação automática à vigilância epidemiológica. Até o fechamento da matéria, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e a Prefeitura de Manaus não haviam respondido aos questionamentos sobre a manutenção das escolas e a qualidade da água consumida nas unidades.
Fonte: D24AM