Paolla Oliveira critica uso de IA em fotos e denuncia deepfakes
A atriz Paolla Oliveira expressou sua indignação sobre o uso de IA para manipular imagens, revelando ter sido alvo de deepfakes com conteúdo sexual. Ela pede mais rigor legal contra essas práticas.

SÃO PAULO – A atriz Paolla Oliveira manifestou sua crítica em relação ao uso de inteligência artificial (IA) para a alteração de suas fotos. Em uma entrevista ao programa Fantástico, exibido no último domingo (2), ela afirmou que essas ferramentas têm potencializado a objetificação das mulheres. “Essas plataformas conseguem não só remover suas roupas, mas também colocá-las em situações vexatórias ou de cunho sexual”, destacou.
Na semana anterior, Paolla já havia utilizado suas redes sociais para denunciar casos de deepfake, onde a IA foi aplicada para criar conteúdos sexuais falsos com a sua imagem. Em sua declaração, ela revelou ter recebido um vídeo pornográfico (falso) considerado bastante pesado, com seu rosto. “Você sabe que não é você, mas não tem como fazer nada sobre aquilo. Eu gelei, fiquei branca, a minha perna amoleceu. A situação realmente passa dos limites”, relatou ao programa.
Um levantamento realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou 198 anúncios falsos utilizando a imagem da atriz em um período de cerca de três meses. Desses, 191 direcionavam para grupos em aplicativos de mensagens que vendiam deepfakes pornográficos, mostrando a gravidade do problema. Marie Santini, diretora do NetLab, explicou que “esses criadores de conteúdo fizeram esses conteúdos falsos para monetizar e, no meio do caminho, a plataforma também ganha dinheiro por distribuir e entregar para os usuários”.
Desde o ano passado, uma nova legislação aumentou as penas para crimes de violência contra a mulher que utilizam IA ou tecnologias que alterem a imagem ou a voz da vítima, com o intuito de coibir casos de deepfake. Recentemente, o Senado também aprovou um projeto de lei que visa aumentar as penalidades para crimes sexuais contra crianças quando é aplicada a inteligência artificial, embora esse texto ainda não tenha sido sancionado pelo presidente da República.
Em seu desabafo, Paolla Oliveira ressaltou a necessidade de uma legislação mais rigorosa sobre o assunto. “A gente gostaria de ter uma lei, de ter algum rigor para isso. Isso avançou um pouco, mas não tão rápido quanto a tecnologia”, afirmou. Ela ainda enfatizou a importância de fortalecer a autoestima das mulheres, para que não se sintam envergonhadas por imagens que não correspondem à realidade.
Fonte: Amazonas Atual