Pesquisa da Unifap avança em nanomateriais para aplicações ambientais
Estudo sobre nanoestruturas de dióxido de cério tem nota máxima em laboratório nacional e será realizado em 2026.

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) obteve aprovação para um projeto de pesquisa no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), ligado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). O projeto, intitulado Precursor-Driven Defect-Morphology Interplay in Eco-Friendly CeO2 Nanostructures, é coordenado pelo professor Robert Saraiva Matos e foi avaliado com a nota máxima: 5.
A pesquisa foca nas nanoestruturas de dióxido de cério (CeO₂), um material essencial para diversas aplicações industriais e ambientais. O objetivo é entender como a química dos precursores, que são as substâncias utilizadas na fase inicial de síntese, afeta a morfologia das nanopartículas, a presença de defeitos cristalinos e a condição química do cério, fatores que influenciam diretamente o desempenho catalítico e fotocatalítico do CeO₂ na degradação de poluentes.
Para alcançar esses objetivos, o projeto utilizará técnicas avançadas de microscopia eletrônica, como HRTEM, SAED, STEM-EDS e EELS. Essas metodologias permitirão a observação de detalhes em escala nanométrica e atômica, possibilitando a confirmação da evolução morfológica das partículas, a identificação de defeitos e o mapeamento de variações na razão Ce4+/Ce3+, que são cruciais para compreender a reatividade do material.
O professor Robert Saraiva Matos ressalta a importância dessa aprovação, afirmando que ela permitirá a investigação de aspectos que não podem ser observados com métodos convencionais. “Nosso foco é compreender como a síntese ecológica do CeO₂ impacta sua estrutura interna e seu desempenho em aplicações ambientais”, comenta. Ele acredita que este projeto representa um avanço significativo para consolidar a pesquisa na UNIFAP e reforçar a presença da universidade em redes de infraestrutura científica nacional.
Resultados preliminares do estudo já demonstram que pequenas variações nas condições de síntese podem resultar em diferenças significativas no desempenho fotocatalítico. Uma das amostras analisadas alcançou 97% de degradação do azul de metileno em 270 minutos, superando outras formulações. O comitê de avaliação destacou a clareza da proposta, sua fundamentação científica robusta e a viabilidade técnica da abordagem integrada por microscopia eletrônica, considerando o projeto um passo importante para a pesquisa em materiais na Unifap.
Fonte: Portal Amazônia