Pesquisa da USP revela presença de compostos cancerígenos em pães e ultraprocessados
Um estudo da USP detectou Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos em pães e biscoitos, levantando preocupações sobre a segurança alimentar no Brasil.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) trouxe à tona preocupações sobre a segurança de alimentos comuns na dieta dos brasileiros. Publicado na revista científica Food Research International, o estudo identificou a presença de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPAs), substâncias com potencial cancerígeno, em produtos como pão branco, biscoitos industrializados e farinha de trigo.
Os pesquisadores destacam que o pão francês (branco) é um dos principais responsáveis pela exposição a esses compostos, não necessariamente pela concentração, mas pela frequência com que é consumido. Os HPAs se formam naturalmente durante processos de alta temperatura, como a panificação, e o consumo diário desses alimentos resulta em uma exposição cumulativa.
A pesquisadora Gloria Guizellini, autora do estudo, alerta que mesmo pequenas quantidades dessas substâncias, quando consumidas regularmente, podem aumentar o risco de alterações celulares ao longo do tempo. Um dado surpreendente da pesquisa é que as farinhas integrais podem conter concentrações de contaminantes superiores às versões refinadas, devido à casca do grão que retém poluentes ambientais durante o cultivo.
Além disso, alguns biscoitos industrializados foram encontrados com níveis de HPAs que ultrapassam os limites de segurança estabelecidos por organismos internacionais, reforçando a necessidade de cautela ao consumir alimentos ultraprocessados. Apesar do alerta, os especialistas da USP não recomendam a eliminação total desses produtos da alimentação, enfatizando a importância do equilíbrio na dieta.
Os pesquisadores oferecem algumas orientações para uma alimentação mais saudável: primeiro, diversifique os tipos de carboidratos, evitando a dependência de um único produto processado; segundo, modere o consumo de itens ultraprocessados que apresentem altos níveis de contaminantes. Por fim, o estudo destaca a urgência de normas mais rigorosas no Brasil para monitorar a presença de HPAs na indústria alimentícia, pois esses compostos permanecem no organismo e a recomendação final é priorizar uma dieta rica em alimentos in natura, reduzindo os riscos de exposição acumulada.
Fonte: D24AM