Pesquisadoras do Maranhão criam absorvente biodegradável de juçara
Um novo absorvente íntimo biodegradável, feito com fibras de juçara, foi desenvolvido por estudantes do IFMA. A pesquisa conquistou o 3º lugar no Prêmio Fapema 2026.

Um grupo de pesquisadoras do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) desenvolveu um absorvente íntimo biodegradável utilizando fibras naturais extraídas das sementes de juçara. Esse fruto, conhecido como açaí em outras partes do Brasil, é amplamente consumido na região amazônica, especialmente no Maranhão.
A pesquisa visa aproveitar resíduos que, frequentemente, são descartados, contribuindo para a criação de um produto de higiene menstrual que seja tanto acessível quanto sustentável. O projeto, orientado pela professora Laurinda Siqueira, foi realizado no âmbito do programa de iniciação científica do Ensino Médio, com as alunas Sabrina Mendes e Haylana Lima como bolsistas do curso técnico de Meio Ambiente.
O trabalho desenvolvido pelas estudantes destacou-se ao conquistar o 3º lugar no Prêmio Fapema 2026 na categoria Pesquisador Júnior. Além disso, a pesquisa resultou em um pedido de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), o que abre portas para a proteção e potencial comercialização do produto.
As fibras de juçara passaram por um tratamento alcalino e peróxido-alcalino para modificar suas estruturas e melhorar a capacidade de absorção. Os testes revelaram que o índice de absorção foi de 3,57 vezes a massa seca do produto, superando os índices de outras fibras naturais como algodão e cânhamo.
Com um custo reduzido, o absorvente pode ser um importante aliado no combate à pobreza menstrual, que afeta diversas pessoas no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar do IBGE, 15% das adolescentes de 13 a 17 anos já deixaram de frequentar a escola devido à falta de absorventes. As pesquisadoras, agora no terceiro ano do Ensino Médio, destacam a importância da experiência e dos aprendizados adquiridos ao longo do projeto, enfatizando como a ciência pode impactar positivamente a vida das mulheres e do meio ambiente.
Fonte: Portal Amazônia