Pesquisas no CNPEM investigam respostas e disseminação do câncer de mama
Pesquisadores do CNPEM em Campinas investigam a resposta do câncer de mama a tratamentos, visando entender as diferenças entre os tumores e seus mecanismos.

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), investigam por que pacientes com tumores de mama aparentemente semelhantes respondem de formas diferentes aos mesmos medicamentos e como as células cancerosas conseguem se espalhar para outros órgãos, incluindo o cérebro.
As pesquisas utilizam modelos tridimensionais cultivados a partir de amostras de pacientes, nanopartículas e dispositivos que combinam sensores com técnicas de inteligência artificial para aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos do câncer e os fatores que influenciam a resposta aos tratamentos. A pesquisadora Sandra Dias explica que o foco é entender as diferentes respostas dos tumores e a disseminação das células cancerosas.
Parte dos estudos acompanha células que se desprendem do tumor original e circulam pelo sangue, processo conhecido como metástase. Cyro Negrão estuda uma estratégia com nanopartículas para aproximar essas células tumorais das células de defesa do organismo, visando sua destruição, em pesquisa pré-clínica. Jefferson Felipe de Souza investiga como as células cancerosas utilizam nutrientes para sobreviver e se desenvolver, enquanto Guilherme Tamarindo e equipe analisam a relação entre o metabolismo dos tumores e a resposta imunológica, também em fase pré-clínica.
Para entender como as células tumorais chegam ao cérebro, Ana Clara Bastos, Maria Eduarda Mundim e colaboradores desenvolvem um modelo que reproduz características da barreira protetora do cérebro, permitindo estudar a passagem das células cancerosas e os fatores que favorecem a metástase cerebral. O sistema está em desenvolvimento e validação.
Uma coleção de organoides, pequenos modelos tridimensionais cultivados a partir de amostras de tumores de pacientes brasileiras, está sendo criada para investigar por que tumores semelhantes respondem de formas distintas aos tratamentos. Financiado pelo Ministério da Saúde, o projeto conta com a participação do Hospital da Mulher (Unicamp), Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) e A.C.Camargo Cancer Center, com equipe formada por Queila Dias, Saul Samanamud, Alex Castro e Julia Santos. O banco de modelos está em expansão e testes de medicamentos estão em andamento.
Os pesquisadores também analisaram os efeitos de nanopartículas de cobre sobre células de diferentes tipos de câncer de mama. Embora o cobre seja importante para o organismo, pode ser tóxico em certas concentrações. Nos testes laboratoriais, as partículas afetaram mais intensamente as células de um dos grupos do que as dos outros dois, o que pode ajudar a entender as diferentes reações dos tumores a uma mesma substância. O estudo contou com estudantes da Ilum Escola de Ciência, sob supervisão de Cyro Negrão e Sandra Dias, e está em revisão por pares.
Outra tecnologia em desenvolvimento no CNPEM combina canais microfluídicos, sensores e inteligência artificial para testar os efeitos de quimioterápicos em células de pacientes com câncer de mama. O dispositivo, desenvolvido por Renato Sousa Lima e Bruna Olsen com participação do Icesp e financiamento da Fapesp, possui 216 sensores eletroquímicos em um chip conectado a canais microfluídicos. Células extraídas de pacientes são cultivadas sobre os sensores e expostas aos medicamentos, com monitoramento da morte celular por aprendizado de máquina. A fabricação e caracterização do dispositivo foram concluídas, e os experimentos com células estão em andamento, com etapas previstas para novembro.
Embora as pesquisas estejam em diferentes fases de desenvolvimento e ainda sejam experimentais, elas podem contribuir para um melhor entendimento da doença e orientar futuras estratégias de tratamento, incluindo a oncologia de precisão para o câncer de mama, o tipo de tumor maligno mais incidente entre mulheres no Brasil e no mundo.
Fonte: D24AM