Polícia Civil do RJ realiza Operação Hawala para combater lavagem de R$ 100 milhões
A Operação Hawala, deflagrada no Rio de Janeiro, visa desmantelar uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas.

Na manhã desta quarta-feira, 15 de novembro de 2023, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), lançou a Operação Hawala. O objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa que se especializou na lavagem de dinheiro, movimentando mais de R$ 100 milhões provenientes de atividades ilícitas.
As investigações revelaram que a estrutura financeira envolvida prestava serviços ao Terceiro Comando Puro (TCP) e também estava ligada a outros grupos, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação é coordenada pela DDSD (Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados) e conta com o suporte do Gaeco/MPRJ, do DGPE (Departamento-Geral de Polícia Especializada) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais).
Os agentes envolvidos na operação estão cumprindo mandados de prisão, busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de bens e ativos financeiros em diversas localidades, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu (PR). As apurações começaram com a atuação do TCP na região do Complexo de São Carlos, mas logo se expandiram, mostrando que a estrutura funcionava como uma prestadora de serviços para várias facções.
Entre os anos de 2021 e 2024, o grupo criminoso utilizou diversas empresas de fachada para dar uma aparência de legalidade a recursos obtidos através do tráfico de drogas, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados. A Polícia Civil identificou métodos como o uso de empresas fictícias, transferências sucessivas entre pessoas jurídicas e depósitos fracionados, além da contratação de laranjas e movimentações financeiras desproporcionais à renda dos envolvidos.
As investigações também apontaram para um núcleo de empresários de origem libanesa, que estaria ampliando a circulação interestadual e internacional dos valores ilícitos. Indícios de atuação na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) foram encontrados, além de uma relação comercial com um indivíduo que é alvo de sanções do Ofac (Office of Foreign Assets Control) dos EUA, o que poderá ser investigado mais a fundo. A Operação Hawala tem como principal meta enfraquecer financeiramente as facções criminosas e interromper a estrutura que permite a ocultação de recursos ilegais, com continuidade nas investigações para encontrar outros envolvidos e ativos.
Fonte: D24AM