Policial e advogados são investigados por agiotagem no Amazonas
A Operação Usura, realizada pelo MPAM, desmantelou uma organização criminosa que cobrava juros de até 70% em empréstimos. Um policial militar e três advogados estão entre os suspeitos.

A cidade de Manaus foi palco de uma operação significativa contra a agiotagem, realizada nesta segunda-feira (27) pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Com a colaboração da Polícia Civil, a ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa que praticava extorsão e agiotagem, cobrando juros exorbitantes que chegavam a 70% ao mês.
A investigação teve início há cerca de quatro meses, após uma denúncia de uma servidora do Poder Judiciário que relatou a atuação do grupo. O Gaeco, a partir de diligências, conseguiu identificar uma estrutura organizada que não apenas concedia empréstimos com taxas abusivas, mas também intimidava suas vítimas para garantir o pagamento das dívidas contraídas.
As operações começaram na última quarta-feira (22), quando um policial militar ligado à organização foi preso. Na fase principal da Operação Usura, deflagrada nesta segunda-feira, foram cumpridos mandados judiciais que incluíam a prisão de dois indivíduos e 16 mandados de busca e apreensão em vários bairros de Manaus, como Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores.
O coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, destacou que as investigações estão sob a liderança do promotor André Epifânio e buscam identificar a totalidade da atuação criminosa e responsabilizar todos os envolvidos. Ao todo, 24 pessoas físicas e jurídicas estão sendo investigadas, e um mandado de prisão permanece em aberto, pois o suspeito ainda não foi localizado.
Durante as buscas, foram apreendidos dois veículos, uma quantia em dinheiro em espécie, além de joias, documentos e aparelhos celulares. A operação também resultou no bloqueio de contas bancárias dos investigados. Até o momento, cerca de R$ 160 mil foram encontrados, mas o total de prejuízos causados pelo esquema ainda não foi estimado, e as investigações continuarão de forma sigilosa para aprofundar a apuração dos fatos e identificar mais vítimas.
Fonte: D24AM