Povo Paiter Suruí conquista verificação FSC para proteger cultura e tradições
O povo Paiter Suruí agora possui a verificação de serviços ecossistêmicos do FSC, a primeira da América Latina, fortalecendo suas práticas culturais e ambientais.

O povo Paiter Suruí, que já detinha a certificação FSC® para o manejo de castanha desde 2016, acaba de conquistar a verificação de serviços ecossistêmicos para a conservação de suas práticas e valores culturais. Esta é a primeira verificação desse tipo na América Latina e a segunda no mundo, destacando a relevância da cultura indígena na conservação ambiental.
A Terra Indígena Sete de Setembro, localizada entre Mato Grosso e Rondônia, enfrenta há mais de 40 anos a pressão da exploração ilegal e a perda de sua biodiversidade, mas os Paiter Suruí têm se esforçado para recuperar áreas desmatadas com o cultivo de frutos nativos. A Cooperativa de Produção e Extrativismo Sustentável da Floresta Indígena Garah Itxa se destaca nesse processo, promovendo práticas que respeitam tanto o meio ambiente quanto a cultura do povo.
“Essa conquista é muito importante para ressaltar a importância da nossa cultura”, afirma Celso Lamitxab Suruí, representante da Cooperativa. Ele ressalta que essa cultura é a essência e a sobrevivência do povo, especialmente em um contexto onde as novas gerações estão cada vez mais expostas à tecnologia e à língua portuguesa, o que torna fundamental o papel da educação indígena.
Atualmente, existem três escolas com professores de língua materna dentro do território Paiter Suruí, que se dedicam a transmitir conhecimentos sobre tradições, história e ancestralidade. A verificação do FSC se fundamenta em documentos de gestão territorial, como o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), que organiza o uso do território de acordo com os conhecimentos tradicionais do povo.
O reconhecimento dos serviços ecossistêmicos não apenas valoriza a cultura Paiter, mas também permite que eles se posicionem como guardiões de seu território. “Ao valorizar sua cultura, o FSC reconhece que o futuro da sustentabilidade depende do respeito aos saberes indígenas”, afirma Elson Fernandes de Lima, diretor executivo do FSC Brasil. Esta conquista demonstra que a conservação da Amazônia está intrinsicamente ligada aos direitos e à dignidade dos povos que nela habitam.
Fonte: Portal Amazônia