Povos Indígenas do Amazonas Apresentam Planos de Gestão Territorial em Manaus
Em evento realizado em Manaus, os povos indígenas Kanamary e Nadëb lançaram seus Planos de Gestão Territorial e Ambiental, visando fortalecer a governança de suas terras.

No dia 7 de julho, em Manaus (AM), os povos Kanamary e Nadëb realizaram o lançamento dos seus Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) para as Terras Indígenas (TIs) Paraná do Boá-Boá e Uneiuxi. A TI Paraná do Boá-Boá, localizada em Japurá, é compartilhada entre os povos Kanamary e Nadëb, enquanto a TI Uneiuxi, situada em Santa Isabel do Rio Negro, é ocupada exclusivamente pelo povo Nadëb, que é considerado de contato recente.
O evento contou com a participação de lideranças indígenas, organizações parceiras e representantes de instituições públicas, sendo promovido pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam) e pelo Amazon Conservation Team – Brasil (ACT-Brasil). O objetivo da reunião foi discutir compromissos para a implementação dos PGTAs e fortalecer a governança territorial indígena, um passo fundamental para garantir os direitos dos povos originários.
Os PGTAs foram elaborados coletivamente, incorporando conhecimentos tradicionais e as necessidades das comunidades, além de promover o diálogo entre diferentes gerações. Esses planos abordam temas relevantes como gestão ambiental, educação, saúde, segurança alimentar, geração de renda e proteção territorial, além de valorizar a cultura local. Durante o encontro, foi realizada uma roda de conversa que discutiu como transformar as propostas dos planos em políticas públicas efetivas.
Natália Pimenta, assessora do Instituto Socioambiental (ISA) no Amazonas, destacou que o PGTA da TI Uneiuxi é o resultado de um processo colaborativo que se estendeu de 2018 a 2022, envolvendo membros das comunidades Roçado e São Joaquim. Ela enfatizou a importância do momento para o fortalecimento da gestão territorial autônoma dos povos, ressaltando que o plano da TI Paraná do Boá-Boá foi publicado também na língua Nadëb, o que reforça a identidade e a cultura do povo.
Eduardo Fonseca Castelo, liderança do povo Nadëb, afirmou que o evento foi uma oportunidade para que os indígenas apresentassem suas prioridades às instituições responsáveis. Ele ressaltou a necessidade de que os direitos dos indígenas sejam respeitados e que as ações previstas nos planos sejam efetivamente implementadas. Além disso, Sandra Gomes Castro, liderança do povo Baré, lembrou que a implementação dos PGTAs deve ser um compromisso compartilhado entre todos os envolvidos, especialmente diante da vulnerabilidade do povo Nadëb.
Fonte: Portal Amazônia