Presos no Irã costuram os lábios em protesto contra a pena de morte
Detentos da penitenciária de Ghezel Hesar no Irã realizam greve de fome e costuram os lábios para protestar contra a pena de morte em meio a uma onda de execuções.

Na maior penitenciária do Irã, os detentos estão costurando os lábios e participando de uma greve de fome em massa como forma de protesto contra a pena de morte. Esta manifestação ocorre no contexto de uma série de execuções que estão sendo realizadas na prisão de Ghezel Hesar, principalmente por crimes relacionados a drogas e por supostas ligações com protestos contra o governo, segundo informações do jornal The Guardian.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram os prisioneiros sentados em corredores da penitenciária, segurando cartazes que clamam pelo fim das execuções. Em uma das gravações, um homem é visto utilizando uma agulha e linha para costurar a boca de outro detento, simbolizando a gravidade da situação e a desesperada busca por atenção internacional.
De acordo com grupos de direitos humanos, pelo menos 1.500 presos que estão no corredor da morte se uniram à greve de fome. Embora os protestos contra a pena de morte não sejam uma novidade no Irã, eles ganharam força recentemente devido ao aumento das execuções, que têm gerado um clima de temor e revolta entre os detentos e suas famílias.
Especialistas indicam que a crise nos presídios iranianos se agravou em função da crescente tensão com os Estados Unidos. Uma fonte em Teerã mencionou que “sempre que a sombra da guerra sobre o regime se dissipa, mesmo que minimamente, o regime se torna mais selvagem”. Essa situação tem levado a um aumento no número de execuções e condenações severas.
Além disso, a fonte destacou que os condenados à pena de morte raramente são os principais traficantes de drogas. Em muitos casos, são mensageiros de baixo escalão que, devido à pobreza, acabam sendo recrutados em troca de pequenas quantias. Muitos deles são condenados com base em confissões obtidas sob tortura, o que levanta sérias preocupações sobre a justiça e os direitos humanos no país.
Fonte: D24AM