Produção de mel em Roraima sofre queda drástica devido à seca e incêndios
A seca prolongada e os incêndios florestais impactam severamente a produção de mel em Roraima, resultando em perdas significativas para apicultores.

As altas temperaturas e a seca prolongada estão afetando a floração das plantas em Roraima, o que, por sua vez, compromete a produção de mel no estado. Os incêndios florestais, combinados com a falta de chuvas, têm trazido grandes prejuízos para os apicultores que dependem da flora local para a sobrevivência de suas colmeias.
O apicultor José Pinheiro, que mantém suas colmeias na zona rural de Boa Vista, relatou que parte de seus enxames migraram para outras regiões em busca de melhores condições. Essa situação forçou José a retirar caixas de captação, resultando em uma queda de 80% na sua produção. “Nos meus apiários, eu já cheguei a produzir até cinco toneladas de mel. Hoje, só estou tirando uma tonelada”, lamenta.
Grande parte das colmeias de Roraima está localizada no lavrado, uma área onde a vegetação seca facilita a propagação do fogo. José destaca que, quando um incêndio atinge essa região, é quase impossível controlá-lo. “Quando pega fogo nesse lavrado, não tem como a gente apagar. A labareda é muito forte”, explica o apicultor.
Anderson Freitas, outro apicultor da área, também sentiu os efeitos devastadores dos incêndios, perdendo mais de 20 caixas de abelhas após um incêndio atingir sua propriedade de 200 hectares. O fogo foi causado por um carro que encostou na vegetação seca, levando à destruição das colmeias, do veículo e de uma carretinha. “É um sentimento muito ruim, ver tudo se acabar e não poder fazer nada”, desabafa Anderson.
A seca não afeta apenas os apicultores, mas também os agricultores da região, que lutam para manter suas plantações. Carlos Pereira, que investiu cerca de R$ 12 mil no cultivo de tomate, está preocupado com as perdas que já sofreu e teme que a situação se agrave. “Se continuar mais cinco ou seis meses de verão, eu vou parar. Sem água, não tem como produzir”, afirma.
Em resposta a essa crise, o Governo de Roraima declarou situação de emergência em setembro, criando um gabinete para coordenar o combate aos incêndios florestais e mitigar os efeitos da seca. O coronel Cidinei Lima da Silva, diretor executivo da Defesa Civil Estadual, alertou sobre a previsão de um fenômeno El Niño mais forte nos próximos meses. “Os municípios de Iracema, Cantá e Normandia já decretaram situação de emergência. Estamos apoiando com reforço de materiais, como kits de combate, ferramentas e bombas abafadoras”, informa.
Atualmente, a situação é mais crítica na região centro-norte de Roraima, especialmente nas áreas de lavrado, onde foram registrados cerca de 360 focos de calor em outubro, próximo ao recorde histórico de 2023. Como medida de precaução, as equipes do governo têm orientado os produtores sobre os riscos do uso do fogo para limpeza de terrenos durante a estiagem.
Fonte: Portal Amazônia