Projeto de Mapeamento dos Rios da Amazônia Enfrenta Falta de Recursos
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) não consegue mapear os rios da Amazônia por falta de financiamento, segundo o pesquisador André Luis Martinelli.

MANAUS - O Serviço Geológico do Brasil (SGB) está enfrentando dificuldades para mapear o leito dos rios na Amazônia devido à escassez de recursos financeiros. A informação foi compartilhada pelo pesquisador André Luis Martinelli durante a apresentação do prognóstico de vazante para 2026, realizada nesta terça-feira (1º) em Manaus. Durante o evento, especialistas discutiram os desafios que envolvem o monitoramento da navegabilidade dos rios.
Martinelli destacou um ponto que havia sido mencionado anteriormente por Jussara Cury, superintendente do SGB em Manaus, sobre a correlação entre o nível dos rios e o calado, que se refere à profundidade segura para as embarcações. Ele ressaltou que este trabalho é atualmente realizado pela Marinha, através do Centro de Hidrografia, que tem a responsabilidade de monitorar essas condições com autoridade, mas o SGB ainda não possui a capacidade de relacionar com precisão a cota do rio a padrões de navegação.
O pesquisador explicou que o principal desafio reside na dinâmica natural dos rios, que estão em constante sedimentação, erosão e transporte de materiais. Isso provoca alterações frequentes no leito dos rios, como é o caso do Alto Solimões, onde a Marinha já demonstrou como o canal de navegação pode mudar drasticamente. Martinelli também apontou que fenômenos semelhantes ocorrem no Rio Madeira.
Para solucionar essa questão, seria necessário realizar um levantamento abrangente do leito dos rios, que possibilitasse a criação de um modelo que correlacionasse a variação do nível da água com a profundidade disponível para navegação. O SGB já possui um projeto em andamento, mas a falta de recursos financeiros impede sua implementação. “O recurso é muito pequeno”, afirmou Martinelli, acrescentando que a primeira fase do projeto seria priorizar as áreas críticas da bacia amazônica antes de buscar apoio financeiro do governo.
A proposta já foi apresentada à Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e a associações do setor industrial em Manaus, mas até o momento não houve retorno financeiro. Martinelli comentou que a participação do mercado privado ainda não ocorreu, afirmando: “A gente realmente vai ter que contar com o Estado”. Essa dependência do setor público tem como consequência um atraso no acesso às informações necessárias, segundo ele, que enfatizou a necessidade urgente de se obter esses dados para a navegação na região.
Fonte: Amazonas Atual