Relator apresenta plano para análise da redução da jornada de trabalho
Relator apresenta plano de trabalho para análise da redução da jornada de trabalho, com votação prevista para 26 de maio e discussão de impactos econômicos e sociais.

O relator da proposta que discute o fim da escala 61 na Câmara dos Deputados, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), apresentou nesta terça-feira (5) o plano de trabalho da comissão especial responsável por analisar a redução da jornada de trabalho no Brasil. A previsão é de que o parecer seja votado no colegiado no dia 26 de maio.
Atualmente, a legislação brasileira permite jornada máxima de 44 horas semanais. O tema está em análise por meio de propostas que buscam reduzir a carga horária e alterar o modelo de dias trabalhados. A proposta em tramitação já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora segue em discussão na comissão especial. Caso seja aprovada, ainda precisará ser votada no plenário da Câmara e, posteriormente, pelo Senado.
Segundo o relator, o objetivo do grupo é avaliar os impactos econômicos, sociais e jurídicos da mudança, além de ouvir trabalhadores, empregadores e especialistas, bem como analisar experiências internacionais. O cronograma prevê 11 reuniões, com encontros em Brasília às terças e quartas-feiras, além de audiências externas às quintas-feiras.
Também estão previstas cinco audiências públicas para debater temas como uso do tempo de trabalho, impactos econômicos, questões sociais e os pontos de vista de empregadores e trabalhadores. A leitura do relatório final está prevista para o dia 20 de maio. Seminários também serão realizados em cidades como Belo Horizonte e São Paulo.
Entre as propostas em análise estão duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs): uma prevê a adoção de jornada de quatro dias por semana, enquanto outra propõe a redução para 36 horas semanais ao longo de um período de transição de até dez anos. Paralelamente, o governo federal apresentou um projeto de lei que propõe reduzir a jornada para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.
Estudos apontam que a mudança pode elevar os custos para empresas. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas pode aumentar os gastos com trabalhadores formais em até 7%. Já pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica aumento médio de 7,84% no custo do trabalho celetista. O governo destaca que milhões de brasileiros trabalham acima de 40 horas semanais e que o excesso de jornada pode estar relacionado ao aumento de afastamentos por problemas de saúde mental. O debate segue em andamento no Congresso, com discussões sobre impactos na economia, produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores.
Fonte: D24AM