Pular para o conteúdo
Caboclo News

Amazonas em foco

Policial

Relatório aponta falhas em investigação de mortes no RJ durante operação

Um estudo da HRW indica que não houve gravação das 117 mortes de civis na Operação Contenção no Rio de Janeiro. As investigações ainda seguem sem conclusão.

Ana Beatriz Souza3 min de leituraOperação Contenção, Direitos Humanos, Rio de Janeiro
Relatório aponta falhas em investigação de mortes no RJ durante operação
Foto: (Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil)

Um relatório divulgado nesta quarta-feira, dia 28, pela Human Rights Watch (HRW) apontou falhas significativas na investigação das mortes ocorridas durante a Operação Contenção, realizada há um ano no Rio de Janeiro. Durante a ação, 122 pessoas perderam a vida, incluindo cinco policiais e 117 civis, nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense.

Até o presente momento, a Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que apenas os casos dos cinco policiais foram concluídos. Doze pessoas foram indiciadas, sendo nove diretamente envolvidas nas mortes e três suspeitas de terem ordenado os ataques. Já as 117 mortes de civis ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), sem que haja conclusões, apesar de indícios de ilegalidades e abusos cometidos pelas forças policiais.

Detalhes da investigação e suas implicações

O relatório da HRW analisou quase 9 mil páginas do procedimento investigatório, 122 laudos de necropsia e 4,4 mil horas de imagens das câmeras corporais dos policiais. Além disso, 41 pessoas foram entrevistadas, incluindo testemunhas e familiares das vítimas. Uma das conclusões mais alarmantes foi que os policiais não tomaram as devidas providências investigativas após os incidentes, e o Departamento Geral de Homicídios soube da operação apenas uma semana antes, sem se preparar para o evento.

Publicidade
Espaço Publicitário · 300×250

Outro ponto crítico abordado pelo relatório foi a falta de perícia no local. Muitas das vítimas foram levadas para o necrotério sem a devida análise das circunstâncias de suas mortes. O HRW destacou que a ausência de equipes de perícia no local resultou em corpos sendo expostos à temperatura ambiente por longas horas, dificultando as investigações e a necropsia.

Manipulação das evidências e falta de registros

A HRW também apontou que nenhuma das 117 mortes de civis foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais. Há indícios de que os agentes ocultaram intencionalmente as câmeras ou as desligaram em momentos cruciais. Em muitos casos, as gravações foram cortadas ou apresentaram lacunas significativas, principalmente a partir do meio-dia do dia da operação, quando 55% das gravações analisadas mostraram interrupções.

O relatório também revelou que 60% dos civis mortos foram alvejados com quatro ou mais tiros, com a maioria das vítimas apresentando múltiplos ferimentos em diversas partes do corpo. Um caso em particular chamou a atenção: Ronaldo Julião da Silva, que, segundo relatos, não era membro de facção e foi atingido nas costas. A Polícia Militar e a Civil não se pronunciaram sobre as conclusões da HRW, enquanto a Secretaria de Segurança Pública afirmou que as investigações continuam em andamento.

Fonte: D24AM

Compartilhar

Siga o Caboclo News

Publicidade
Espaço Publicitário · 320×50