Senhora Travesti: Reflexão sobre o Envelhecimento de Corpos Trans em Manaus
A nova montagem da Companhia Transversal de Artes Integradas questiona o envelhecimento e a memória de corpos travestis em espetáculo gratuito no Teatro Gebes Medeiros.

No dia 30 de novembro, o espetáculo Senhora Travesti retorna aos palcos de Manaus, após sua estreia na última quarta-feira (22). A apresentação, marcada para às 19h30 no Teatro Gebes Medeiros, é gratuita e voltada para maiores de 16 anos, promovendo uma reflexão sobre a memória e o envelhecimento dos corpos trans.
A produção é uma nova criação da Companhia Transversal de Artes Integradas, um coletivo artístico independente que reúne artistas trans em Manaus. Fundada em 2022 pela atriz e produtora Nicka, a companhia surgiu do desejo de criar um espaço seguro e autônomo para que artistas trans pudessem explorar e ocupar o cenário cultural com suas narrativas e vivências.
A pesquisa da Companhia Transversal integra teatro e audiovisual, focando em narrativas LGBTQIAPN+, especialmente aquelas que refletem as experiências de pessoas trans na Amazônia. Entre os trabalhos anteriores, destacam-se o aclamado Viper Paradise e o curta-metragem O Extraordinário Evanescer, que também foi premiado no CLOSE – Festival de Cinema LGBTQIAPN+ de Manaus.
A dramaturgia do espetáculo Senhora Travesti surge de uma inquietação presente na vida de muitas pessoas trans no Brasil: a questão do direito ao envelhecimento. Em um contexto de violência e exclusão, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) aponta uma média de expectativa de vida de apenas 35 anos para essa população, um dado que reflete a desigualdade e a transfobia enfrentadas diariamente.
Nicka, que dirige e atua na peça, destaca que embora a obra dialogue com suas experiências pessoais, a personagem não é uma representação autobiográfica. Ao invés disso, o espetáculo entrelaça memórias individuais e coletivas, abordando temas como afeto, perda, espiritualidade, humor e resistência, enquanto provoca o público a refletir sobre quem tem o direito a existir plenamente e a imaginar futuros possíveis para os corpos travestis.
Fonte: D24AM