Sintomas do câncer digestivo: fique atento aos sinais
O diagnóstico de câncer do aparelho digestivo do cacique Raoni Metuktire destaca a importância de identificar sintomas que podem indicar tumores. Conheça os principais sinais e riscos associados.

O recente diagnóstico de adenocarcinoma, um tumor maligno do aparelho digestivo, do cacique Raoni Metuktire, uma figura de destaque entre as lideranças indígenas do Brasil, trouxe à tona a preocupação com os cânceres que podem afetar diferentes órgãos, incluindo estômago, intestino, esôfago, fígado e pâncreas. Apesar de serem parte de um grupo comum, cada um desses cânceres apresenta características, fatores de risco e tratamentos distintos.
O oncologista Bruno Fernandes, que atua no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), parte do Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA), ressaltou que o adenocarcinoma é o tipo mais frequente de câncer encontrado no trato gastrointestinal. “Ele se origina do epitélio e pode manifestar-se em diversos órgãos, especialmente no trato digestivo”, explica Fernandes, que é chefe da Unidade de Oncologia e Hematologia (Unacon) do HUJBB.
Um dos desafios em detectar os cânceres do sistema digestório está na variabilidade dos sintomas, que podem diferir conforme o órgão afetado e podem ser confundidos com outras condições de saúde. Ter um ou mais desses sintomas não indica necessariamente a presença de câncer, mas a persistência dessas alterações deve ser investigada. “Os sinais mais frequentes incluem perda de peso, dificuldade de alimentação, apetite diminuído e sangramentos, que podem ocorrer tanto em vômitos quanto nas fezes”, alerta o especialista.
Os fatores que contribuem para o desenvolvimento dos cânceres digestivos são diversos. O histórico familiar, hábitos alimentares, uso de tabaco e consumo de bebidas alcoólicas são alguns dos elementos que podem aumentar o risco. Além disso, infecções crônicas têm associação conhecida com certos tipos de câncer, como hepatites B e C relacionadas ao câncer de fígado, e H. pylori ligado ao câncer de estômago. Contudo, é importante ressaltar que não todos os indivíduos com essas infecções desenvolverão câncer.
A prevenção é fundamental e deve começar com a adoção de hábitos saudáveis. Embora nem todos os tipos de câncer digestivo possuam estratégias de rastreamento amplamente indicadas, a redução de fatores de risco modificáveis é essencial. “O câncer colorretal é o único que possui uma estratégia de prevenção clara, recomendando a realização de colonoscopia a partir dos 40 a 50 anos”, enfatiza Fernandes. O diagnóstico precoce é crucial, pois aumenta as opções de tratamento e as chances de cura, tornando vital a identificação da doença em seus estágios iniciais.
Fonte: D24AM