Sobrevivente do Massacre de Eldorado do Carajás vive com sequelas há 30 anos
José Carlos Agarito Moreira, baleado no massacre de 1996, enfrenta dores e dificuldades após décadas sem assistência médica adequada.

José Carlos Agarito Moreira, de 48 anos, foi baleado no olho durante o massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996. Desde então, ele vive com uma bala alojada em sua cabeça, o que o impede de trabalhar e causa dores constantes. Sentado na pequena casa em Canaã dos Carajás, ele aguarda a noite para deitar, enquanto a dor persiste e se agrava.
Durante o massacre, 19 pessoas foram mortas e muitas outras ficaram feridas quando a Polícia Militar disparou contra um grupo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que protestava pela reforma agrária. Zé Carlos, que na época tinha apenas 18 anos, se juntou aos trabalhadores que bloqueavam a rodovia PA-150, buscando a desapropriação da fazenda onde seus pais estavam acampados.
Naquele dia fatídico, a polícia cercou a estrada e começou a disparar. Zé Carlos recorda que inicialmente pensou que eram bombas de efeito moral, até ver um amigo ser baleado. Ele foi atingido diretamente no olho direito, uma ferida que nunca foi tratada, e até hoje carrega as consequências desse evento trágico em sua vida.
Atualmente, Zé Carlos tenta retomar o tratamento médico, interrompido por falta de assistência. Ele e outros sobreviventes, conforme afirma Maurílio da Silva Soares, presidente da associação das vítimas, continuam enfrentando sequelas sem o suporte necessário. A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) aguarda a formalização das demandas dos sobreviventes para dar continuidade ao atendimento, mas muitos ainda estão sem assistência.
Zé Carlos, que é um exemplo das consequências do massacre, não guarda mágoa dos responsáveis e reflete sobre a luta pela reforma agrária. Apesar das dificuldades, ele acredita que essa luta valeu a pena, ressaltando que, sem a reforma, sua família não teria acesso à terra. Hoje, ele vive com a esposa, dependendo do apoio dos filhos para se sustentar, enquanto aguarda um dia melhor.
Fonte: Portal Amazônia