Terreiro em Manaus denuncia PM por abuso e racismo religioso em operação
Uma ação da Polícia Militar em Manaus resultou em denúncias de racismo religioso e abuso de autoridade durante celebrações no Centro Religioso Mina Jéje-Nagô.

Na noite do último domingo, 28 de janeiro, uma operação da Polícia Militar do Amazonas no bairro Cidade Nova, na zona norte de Manaus, gerou sérias acusações de racismo religioso e abuso de autoridade. Os policiais foram chamados para atender a uma denúncia de poluição sonora, mas acabaram apreendendo instrumentos sagrados do Centro Religioso Mina Jéje-Nagô Nossa Senhora da Conceição.
O advogado e sacerdote Heriberto Sena Jr., que representa o centro religioso, relatou que a abordagem policial foi violenta e ocorreu durante as festividades dos Festejos de São João e do Turco Jatuarana. Ele afirmou que os policiais, cujas identidades ainda não foram reveladas, invadiram o espaço religioso e confiscou os tambores Batás, que são instrumentos litúrgicos importantes, sem apresentar qualquer mandado judicial ou justificativa para a ação.
“Denuncio o ato de Racismo Religioso, Injúria Racial e abuso de Autoridade Policial Militar, cometido contra o Centro Religioso Mina Jéje-Nagô Nossa Senhora da Conceição”, afirmou Sena Jr. em suas redes sociais. Ele enfatizou a truculência da ação, que foi realizada em desacordo com a lei, e destacou a importância dos tambores para a tradição religiosa da comunidade.
Além de registrar a ocorrência na Procuradoria da República – Ministério Público Federal (MPF), o sacerdote também foi à Delegacia de Polícia Civil para formalizar um Boletim de Ocorrência, com o intuito de reaver os instrumentos apreendidos e dar seguimento às investigações. Essa ação é respaldada pela Lei Caó, que trata de crimes de preconceito racial, e pelo Estatuto da Igualdade Racial, além do Artigo 5º da Constituição Federal, que garante a liberdade de crença religiosa.
Um vídeo gravado por pessoas presentes no momento da intervenção policial começou a circular nas redes sociais, mostrando a tensão gerada durante a apreensão dos instrumentos sagrados. Até o fechamento desta matéria, a Polícia Militar do Amazonas não havia se manifestado oficialmente sobre o ocorrido, deixando o espaço aberto para um posicionamento a respeito dos procedimentos tomados durante a ação.
Fonte: D24AM