Tese de doutorado colombiana propõe nova visão sobre o ensino da matemática
Carolina Higuita Ramírez ganhou o Prêmio CAPES de Teses 2026 com pesquisa que relaciona matemática, cultura e a proteção da Terra, focando nos saberes indígenas Nasa.

A pesquisa da colombiana Carolina Higuita Ramírez foi reconhecida com o Prêmio CAPES de Teses 2026 ao abordar a interseção entre a matemática, a cultura e a proteção do meio ambiente. A tese, intitulada “Niñas/os Nasa y matemáticas en una política de tejer el abrigo del cuerpo de la Madre Tierra”, defende a importância do respeito pela Terra, utilizando a expressão Uma Kiwe, que significa Mãe Terra na língua Nasa Yuwe, falada pela etnia Nasa na Colômbia.
Defendida em 2025, a pesquisa foi realizada no Programa de Pós-graduação em Educação Matemática da Unesp, orientada pelo professor Roger Miarka e coorientada por Paola Valero da Universidade de Estocolmo. A proposta de Carolina desafia a visão tradicional da matemática como uma ciência exata, buscando relacionar a disciplina com a subjetividade e o cuidado com o meio ambiente.
Carolina, que possui mestrado em Educação pela Universidad de Antioquia, investigou como a educação matemática influencia crianças de 4 a 5 anos da etnia Nasa. A pesquisa está fundamentada na etnomatemática, que critica a ideia de que a matemática é uma construção neutra, propondo que ela deve ser entendida dentro dos contextos culturais e históricos de cada povo.
Um dos desafios encontrados por Carolina foi a forma tradicional de ensino que muitas vezes desconsidera a relação da comunidade com a natureza. Marcos Julio de Atacue, uma liderança do povo Nasa, expressou que práticas pedagógicas que objetificam animais vão contra a cosmovisão Nasa, que vê esses seres como parte da família. Para Carolina, uma nova abordagem da matemática é essencial para respeitar e preservar essas relações tradicionais.
A tese convida à reflexão sobre como a matemática pode contribuir para a proteção da natureza. Segundo o orientador Jorge Miarka, o trabalho de Carolina destaca a importância de aprender com outros povos para transformar a própria educação matemática. O processo colaborativo com a comunidade Nasa foi fundamental, permitindo que suas vozes e preocupações moldassem a pesquisa, resultando em um conto ilustrado que aborda a relação entre o ser humano e a Terra.
Fonte: Portal Amazônia