Tony Bellotto fala sobre coragem e o impacto do câncer em sua vida
Em entrevista ao Roda Viva, Tony Bellotto compartilha sua experiência com o câncer de pâncreas e como isso influenciou sua vida e escrita.

SÃO PAULO – O músico e escritor Tony Bellotto foi o convidado da última edição do programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura nesta segunda-feira (6). Durante a entrevista, Bellotto abordou seu diagnóstico de câncer no pâncreas e como tem enfrentado o tratamento, além de compartilhar detalhes sobre seu estado de saúde atual.
O apresentador Edgard Piccoli questionou Bellotto sobre como o enfrentamento da doença poderia inspirá-lo a criar um personagem que passasse por desafios semelhantes. O músico revelou que o diagnóstico, que ocorreu há quase dois anos, transformou sua vida. “É uma experiência transformadora, obviamente”, afirmou o artista, que na época de seu diagnóstico estava escrevendo um livro, mas deixou o projeto em pausa devido ao tratamento.
Apesar das dificuldades, Bellotto voltou a trabalhar no livro e expressou que esta é a primeira atividade criativa que ele retoma após viver a experiência do câncer. Ele comentou sobre a incerteza do impacto que a doença terá em sua obra e, em tom brincalhão, disse: “Eu escrevi tanto que acabou acontecendo mesmo”, referindo-se à tragédia que ele costuma explorar em seus livros.
O músico também falou sobre como o câncer alterou sua percepção sobre a vida e a morte, trazendo à tona a consciência da finitude. “A doença te coloca a presença da finitude muito objetiva, muito clara na tua frente. Isso me transformou. E você ganha uma coragem para enfrentar essa doença. No meu caso, com muita positividade”, compartilhou Bellotto sobre sua nova perspectiva.
Ao abordar a forma como a sociedade percebe o câncer, Bellotto mencionou a tendência de dramatização e estigmatização da doença. Ele preferiu não se ver como um lutador, mas sim como alguém que busca uma convivência pacífica com a enfermidade. “Desde o início eu vi que era mais fácil lidar com ela sem esse estigma”, refletiu. Apesar de se sentir bem no momento, ele enfatizou que um câncer de pâncreas é grave e que as consequências do tratamento ainda o afetam.
Fonte: Amazonas Atual