Trabalhadores informais protestam contra programa Tolerância Zero no RJ
Camelôs e trabalhadores informais realizam protesto em Ipanema contra a fiscalização do programa Tolerância Zero da Prefeitura. O MPF pede suspensão do programa.

No último sábado, dia 19, camelôs, vendedores ambulantes e trabalhadores informais se reuniram em frente ao Hotel Fasano, localizado em Ipanema, Rio de Janeiro, para realizar um protesto contra o programa Tolerância Zero. Este programa, implementado pela Prefeitura do Rio, intensificou a fiscalização do comércio ambulante na orla da zona sul, gerando descontentamento entre os trabalhadores.
A manifestação marcou o quarto ato consecutivo da categoria apenas nesta semana, ocorrendo um dia após o Ministério Público Federal (MPF) solicitar à Justiça a suspensão do programa. Os participantes se utilizaram de panelas, apitos e tambores, além de entoarem palavras de ordem como “Unidos podemos trabalhar”, para enfatizar sua luta contra o que consideram a criminalização de sua atividade.
A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes do Carmo, também conhecida como Maria dos Camelôs, afirmou que as mobilizações continuarão enquanto não houver diálogo com a prefeitura. “Vai ter ato todos os dias. As pessoas já estão se organizando para voltar às ruas,” garantiu Maria, destacando que a categoria não aceitará a criminalização e continuará lutando por seus direitos.
Os trabalhadores reivindicam um ordenamento do comércio ambulante, mas pedem que o município faça uma distinção clara entre vendedores informais e organizações criminosas. “Nossa reivindicação é simples, queremos trabalhar. Somos favoráveis ao ordenamento e ao combate às irregularidades, mas não aceitamos que toda a categoria seja tratada como criminosa,” explicou Maria. Ela ressaltou que muitos trabalhadores estão aguardando há anos pela licença da prefeitura.
No dia anterior, o MPF ajuizou uma ação civil pública com o pedido de suspensão imediata do programa Tolerância Zero. De acordo com o órgão, a Prefeitura instaurou uma política de fiscalização da orla sem observar as normas federais. O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, criticou a falta de diálogo e a exclusão da sociedade no processo. Em resposta, o prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, reafirmou a manutenção do programa, alegando que a prefeitura tem a responsabilidade de regular o espaço urbano e combater o crime organizado.
Fonte: D24AM