Ufam faz história ao nomear primeira diretora indígena em São Gabriel da Cachoeira
A Universidade Federal do Amazonas nomeou Danielle Gonzaga de Brito como diretora do campus de São Gabriel da Cachoeira, a primeira indígena a ocupar o cargo.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) avançou na implementação do Instituto Intercultural de Educação, Saúde e Território do Rio Negro (IEST-Rio Negro) com a nomeação da professora Danielle Gonzaga de Brito como a nova diretora do campus em São Gabriel da Cachoeira (AM). A portaria Nº 1699, datada de 3 de agosto, oficializa essa importante decisão. Danielle é indígena do povo Munduruku e está vinculada ao curso de Letras Língua Portuguesa e Língua Inglesa do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA/Ufam).
A nova diretora possui um vasto currículo acadêmico, sendo doutora em Letras Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e mestre em Estudos da Linguagem pela Ufam. Além de sua formação, ela já ocupou posições relevantes, como diretora do Departamento de Políticas Afirmativas (DPA) na Pró-Reitoria de Extensão (Proext/Ufam) e vice-coordenadora de um grupo de estudos e pesquisa CNPq. Danielle também é escritora e seu livro “Uma bekitkit munduruku com síndrome de down” foi indicado ao Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional Edição 2026.
Atualmente, a professora também está envolvida em diversas frentes do movimento indígena, incluindo o Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (FOREEIA), onde atua como secretária, e a Juventude Munduruku do Amazonas (JUMAM), onde é coordenadora geral. Para Danielle, a criação do campus representa uma oportunidade de aumentar o acesso ao ensino superior na região do Alto Rio Negro, enfatizando a importância de uma universidade que respeite e integre as características locais. “Queremos fortalecer a formação de estudantes, a pesquisa, extensão e inovação”, afirmou a diretora.
Desde 2025, a Ufam tem realizado audiências públicas com a participação de lideranças indígenas e da sociedade civil para implementar o campus. O projeto inclui a construção de quatro prédios e um investimento total de R$ 60 milhões, sendo R$ 50 milhões para infraestrutura e R$ 10 milhões para equipamentos. Os cursos prioritários, como Pedagogia e Licenciatura em Formação de Professores Indígenas, já foram aprovados, e o primeiro concurso público para docentes registrou 456 candidaturas para 20 vagas.
O edital do concurso também contemplou a reserva de vagas para grupos étnicos e pessoas com deficiência (PCD). Dos candidatos, 61,2% autodeclararam sua etnia, com destaque para os indígenas. A nova estrutura acadêmica começará com a Licenciatura Intercultural em Formação de Professores Indígenas, e a Ufam também aprovou um projeto preparatório para o ENEM voltado para estudantes indígenas do ensino médio. O projeto, denominado Igarapé, é uma colaboração entre a Ufam e outras instituições e busca fortalecer a educação no território, reconhecendo a diversidade cultural da região.
Fonte: D24AM