Universidades dos EUA treinam veterinários para cuidar de abelhas em colapso
Com o aumento das mortes de colônias de abelhas, universidades americanas investem na formação de veterinários especializados para atender a esses polinizadores essenciais.

No cenário atual dos Estados Unidos, o colapso das colmeias se tornou uma preocupação crescente, levando instituições de ensino a investir em uma área pouco explorada da medicina veterinária: o cuidado especializado às abelhas. Com a importância desses insetos na produção de alimentos, universidades começaram a oferecer treinamentos específicos para preparar futuros veterinários a diagnosticar doenças e orientar apicultores.
Um exemplo dessa iniciativa pode ser visto na Universidade da Geórgia, onde estudantes de medicina veterinária passam a integrar o aprendizado sobre o atendimento a cães, gatos e cavalos com o cuidado de colmeias. Equipados com roupas de proteção, eles realizam inspeções em apiários, analisando favos e buscando sinais de infestações e doenças que possam comprometer a saúde das abelhas.
Durante as atividades práticas, os alunos são treinados para identificar a presença de ácaros, alterações nas larvas e deformidades nas asas, entre outros problemas sanitários. O objetivo é detectar ameaças antes que provoquem perdas significativas nas colônias, considerando que as abelhas são responsáveis pela polinização de mais de 130 culturas agrícolas.
Estima-se que o serviço de polinização das abelhas movimenta cerca de US$ 15 bilhões anualmente na agricultura dos EUA. No entanto, nos últimos anos, as colmeias vêm enfrentando dificuldades, com mais da metade das colônias manejadas desaparecendo entre 2024 e 2025, devido a uma combinação de fatores como parasitas, pesticidas e mudanças climáticas.
Um dos principais inimigos das abelhas é o ácaro Varroa destructor, que enfraquece as colônias e contribui para a disseminação de doenças. O treinamento de veterinários para cuidar de abelhas ainda é limitado, mas a abordagem é diferenciada: enquanto na medicina veterinária tradicional o foco é um único animal, no caso das abelhas, a colônia é vista como um “superorganismo”. A expectativa é que o fortalecimento dessa especialidade ajude a reduzir as perdas nos apiários e ofereça suporte aos apicultores, cada vez mais desafiados a manter suas colônias saudáveis.
Fonte: D24AM