Universidades Privadas Adotam Seleção e Ingresso a Qualquer Momento
Instituições privadas adotam seleção e ingresso a qualquer momento, com flexibilidade e cumprimento da legislação, segundo ABMES e grupos educacionais.

SÃO PAULO – Algumas instituições privadas de ensino superior têm adotado processos seletivos que permitem a entrada de alunos a qualquer momento, diferentemente dos vestibulares tradicionais e do Enem, que possuem datas fixas. Esse modelo, associado principalmente ao ensino a distância, também pode ser aplicado em formatos presenciais e híbridos, oferecendo maior flexibilidade aos estudantes.
A ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior) informou que não possui dados precisos sobre o número de cursos e estudantes que utilizam essa modalidade de seleção e ingresso fora dos períodos convencionais. No entanto, grandes grupos educacionais, como o Ânima e o Cogna, afirmam utilizar esse modelo e consideram que ele traz benefícios aos alunos sem comprometer a qualidade do ensino.
O grupo Ânima, que inclui universidades como São Judas, Anhembi Morumbi e Unisul, permite o ingresso por meio de um vestibular simplificado, no qual o candidato é avaliado por uma carta de apresentação, além de aceitar o Enem e transferências. Entre outubro e abril, os ingressos destinam-se às turmas que iniciam em fevereiro; entre maio e setembro, às turmas que começam em agosto. Já o Cogna, que possui marcas como Anhanguera e Unopar, realiza um vestibular online e utiliza outros meios de seleção, exceto para o curso de medicina.
Para o funcionamento adequado desse modelo, as instituições precisam contar com infraestrutura tecnológica, projeto pedagógico consistente, professores qualificados e mecanismos de acompanhamento acadêmico. Também devem cumprir a legislação brasileira, que exige 200 dias letivos e frequência mínima de 75% dos estudantes. O presidente-diretor da ABMES, Janguiê Diniz, destaca a importância do suporte aos alunos para evitar que fiquem para trás e ressalta a necessidade de calendários claros, equipes dimensionadas e uso de tecnologias para apoiar o processo.
Janes Fidélis, vice-presidente acadêmico da Ânima Educação, afirma que a adoção desse modelo surgiu da demanda dos próprios alunos por mais flexibilidade, considerando diferentes momentos de vida. Segundo ele, "oferecer diferentes possibilidades de ingresso é uma forma de reduzir barreiras e permitir que cada pessoa encontre um caminho mais adequado à sua realidade". Rodrigo Cavalcanti, vice-presidente de marketing e Revenue Office da Cogna, acrescenta que a manutenção dos estudantes é um dos principais benefícios, pois a personalização da grade evita sobrecarga e reduz a evasão. A PUC-SP e o Insper, por sua vez, optam por processos seletivos em datas fixas para garantir uma formação organizada e sequencial, com turmas formadas em momentos determinados.
Fonte: Amazonas Atual