Valdely Kinupp: PANCs são chave para biodiversidade e segurança alimentar no Brasil
Valdely Kinupp destaca a importância das Plantas Alimentícias Não Convencionais para a segurança alimentar e valorização da biodiversidade no Brasil.
O pesquisador brasileiro Valdely Kinupp, uma das principais referências em Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), tem se dedicado a destacar a relevância das PANCs para a alimentação e a biodiversidade. Em 1946, o botânico Frederico Carlos Hoehne lançou o livro Frutas Indígenas, ilustrando a vasta riqueza de espécies nativas do Brasil, que ainda é pouco reconhecida pela população. O objetivo de Hoehne foi mostrar que o Brasil possui um potencial alimentar muito além das florestas conservadas.
Apesar do avanço científico nas últimas décadas e do Brasil ser um dos países com maior biodiversidade do mundo, muitas dessas espécies ainda não fazem parte da alimentação diária da população. Para Kinupp, essa realidade representa uma oportunidade perdida de fortalecer a segurança alimentar, gerar renda e valorizar a sociobiodiversidade. Ele acredita que diversificar a alimentação é essencial para enfrentar os desafios das mudanças climáticas e tornar os sistemas produtivos mais resilientes.
“O alimento conecta biodiversidade, cultura, economia e conservação. Quando uma planta se torna parte da alimentação das pessoas, ela adquire valor social e econômico, além de razões para ser preservada”, afirma Kinupp. Ele ressalta que a conservação e o uso sustentável da biodiversidade devem caminhar juntos, pois isso pode ajudar a resolver alguns dos problemas mais prementes do século XXI.
O Brasil abriga cerca de 10 mil espécies de PANCs, segundo estimativas de Kinupp, e esse número pode aumentar com novas descobertas. “Embora sejamos um país megadiverso, nossa alimentação é extremamente concentrada. Dependemos de poucas plantas para nossa dieta, o que nos torna vulneráveis e faz com que uma riqueza imensa da biodiversidade permaneça invisível”, explica o pesquisador.
Antes mesmo do termo PANC ser amplamente conhecido, Kinupp estudava plantas utilizadas por várias comunidades, mas que estavam à margem dos sistemas convencionais de produção. Seu livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, publicado em parceria com o botânico Harri Lorenzi, consolidou seu trabalho e é hoje uma referência para pesquisadores, agricultores e chefs. Para Kinupp, integrar a biodiversidade na alimentação cotidiana é fundamental para garantir a preservação e a soberania alimentar, especialmente em um cenário de crise climática.
Fonte: Portal Amazônia