Violência contra indígenas no Brasil: números alarmantes e revolta, diz Steiner
Leonardo Steiner, presidente do Cimi, comenta sobre os dados alarmantes de violência contra povos indígenas, revelando as causas e consequências dessa realidade.

No programa Entrevistas, transmitido pelo canal Amazon Sat, o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Leonardo Steiner, discutiu os dados de violência contra os povos indígenas, conforme revelado em um relatório da entidade. O episódio, apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, abordou informações preocupantes sobre as diferentes formas de violência e violações que esses grupos enfrentam no Brasil, com dados referentes ao ano de 2025.
Segundo o relatório, o Brasil registrou 1.024 mortes de crianças indígenas com até quatro anos em 2025, sendo que somente no Amazonas foram contabilizados 306 óbitos. As estatísticas também revelam que 258 indígenas foram assassinados no país e que houve 215 casos de suicídio. Steiner atribui esses números à falta de soluções para a demarcação de territórios indígenas e ao aumento dos conflitos territoriais.
Steiner enfatizou que a dificuldade na demarcação das terras ancestrais leva os povos indígenas a retomar essas áreas, o que gera conflitos e violência. Ele destacou que a falta de demarcação é uma das principais causas do aumento da violência, das mortes e dos suicídios entre os indígenas. “Nós sentimos que aumentou a violência, as mortes e os suicídios devido às questões que nós chamamos de território”, comentou o cardeal.
Outro ponto abordado por Steiner foi o preconceito que alimenta a violência contra os indígenas. Ele relatou que frequentemente testemunhou agressões e que o indígena não é visto como um ser humano por muitos. “O preconceito é muito violento e gera violência e morte”, destacou, refletindo sobre sua experiência como bispo em Mato Grosso e atualmente no Amazonas.
O aumento nas mortes de crianças indígenas, que subiu de 922 em 2024 para 1.024 em 2025, também foi um tema preocupante. Steiner atribui esse crescimento à contaminação causada pelo garimpo ilegal e ao descaso com a saúde indígena. Ele mencionou que a desnutrição é uma das maiores dificuldades enfrentadas por essas crianças, além do desprezo do Estado em relação às tradições de saúde dos povos indígenas, que valorizam o nascimento na aldeia. “Esses números causam não só espanto, mas revolta”, finalizou o cardeal.
Fonte: Portal Amazônia