A Sereníssima Traição: Lula, Escândalos e a Política Brasileira
Traições revelam muito sobre caráter, tanto na vida pessoal quanto na política. Este artigo analisa a relação entre fidelidade e escândalos políticos no Brasil.

Minha relação eleitoral com Luiz Inácio Lula da Silva começou em 1989. Naquele ano, aos vinte e cinco anos, com três namoradas, duas delas petistas, decidi votar em Lula no segundo turno contra Collor, influenciado pela bancada feminina do meu pequeno colégio eleitoral sentimental. Essa experiência levou-me a refletir sobre duas espécies de homens mulherengos: o Provedor e o Explorador, analogia que depois transportei para a política.
O Provedor, apesar de suas falhas, reconhece seus erros e busca proteger a família, enquanto o Explorador utiliza o que diz amar para benefício próprio, sacrificando a família. Na política, partidos pedem fidelidade e recebem confiança, tempo e militância. O PT construiu uma narrativa de superioridade moral, prometendo justiça social, mas escândalos como o mensalão, envolvendo José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, abalaram essa imagem.
Após o mensalão, vieram os cartões corporativos, os aloprados presos com R$ 1,24 bilhão, e o petrolão, com diretores da Petrobras e empreiteiras envolvidos em um esquema de propina detalhado pela Lava Jato. A soma desses casos mostrou uma sucessão de escândalos que o eleitorado passou a fechar portas separadamente, sem olhar para o conjunto. Posteriormente, Lula foi condenado no caso do tríplex e sítio de Atibaia, mas em 2021 o Supremo Tribunal Federal anulou os atos decisórios dessas ações penais, decisão confirmada pelo Plenário.
Com a anulação das condenações, não houve novo julgamento de mérito que declarasse Lula inocente. O Ministério Público reconheceu a prescrição no caso do tríplex e a Justiça de Brasília extinguiu a punibilidade no sítio de Atibaia. A prescrição impede a continuidade da ação judicial, mas não equivale a absolvição. Essa situação foi comparada à descoberta do batom na camisa do marido, que revela uma traição pessoal apesar das justificativas anteriores.
Na política, programas sociais como o Bolsa Família, que em junho de 2026 alcançava 19,34 milhões de famílias, são benefícios para necessidades reais. Contudo, um programa emancipador deveria desejar tornar-se desnecessário. A política pode ser vista como ponte ou endereço, e a dúvida é se ela reduz a dependência ou apenas a administra. A alta dos preços em 2025 e 2026 levou a explicações que minimizavam a carestia, apesar dos aumentos oficiais, e mudanças metodológicas no IBGE alteraram índices econômicos, gerando debates sobre a interpretação dos dados.
O autor destaca ainda a semelhança entre a lealdade política e a paixão pelo futebol, onde a identificação emocional muitas vezes supera a análise crítica. Mesmo reconhecendo os pecados políticos de Bolsonaro, o texto ressalta que isso não altera os fatos envolvendo o PT. A conclusão é que o cidadão deve distinguir a fraqueza humana do defeito de caráter e refletir se o governante deseja cidadãos fortes para dispensá-lo ou eleitores dependentes para mantê-lo no poder.
Fonte: D24AM