A viabilidade de habitar a Lua: um novo estudo revela desafios
Um estudo recente aponta que a colonização da Lua pode ser mais complicada do que se pensava, devido à limitação de água disponível. Medidas precisam ser adotadas para viabilizar a habitação lunar.

Com o recente descobrimento de água na Lua, muitos projetos sobre a construção de habitações, como hotéis e cidades, surgiram. Contudo, um novo estudo indica que a ideia de habitar o satélite natural pode não ser tão viável quanto parece.
Os pesquisadores Martin Elvis e Jonathan McDowell, em um artigo publicado na revista Frontiers in Space Technologies, destacam que mesmo as projeções mais otimistas mostram que uma cidade com um milhão de habitantes consumiria toda a água disponível na Lua em aproximadamente um século.
Isso ocorre devido à localização das reservas de gelo em “poços de escuridão”, áreas que não recebem luz solar e, portanto, não descongelam. Martin Elvis explica que, após a formação da Lua, ela sofreu um intenso bombardeio de asteroides, resultando em uma topografia irregular que inclui crateras nos polos que não recebem luz solar há cerca de quatro bilhões de anos.
Esses “poços de escuridão eterna” apresentam temperaturas extremas, abaixo de -163 ºC, criando “armadilhas frias” onde o gelo de água permanece praticamente intocado ao longo de bilhões de anos. Assim, os cientistas sugerem que é necessário aumentar a eficiência da reciclagem de água em cinco vezes ou mais, além de explorar novas técnicas, como a agricultura vertical, para reduzir o consumo.
Outra solução proposta é a importação de água ou a busca por mais fontes desse recurso na Lua. Atualmente, as técnicas de prospecção conseguem acessar apenas os primeiros metros abaixo da superfície, enquanto o regolito lunar, que é a camada superficial, pode esconder água em profundidades maiores. Caso os projetos de colonização se concretizem, localizar mais água se tornará o primeiro passo essencial para a habitação lunar.
Fonte: D24AM