Acampamento Terra Livre 2026 encerra com apelo à proteção das terras indígenas
Após cinco dias de mobilizações em Brasília, representantes indígenas cobram demarcações e proteção de seus territórios. O governo anuncia avanços na Funai com nova liderança.

No final da tarde de sexta-feira, dia 10 de abril, o Acampamento Terra Livre (ATL) 2026 chegou ao seu término no complexo do Eixo Cultural Ibero-americano, em Brasília (DF). Durante cinco dias, mais de sete mil indígenas de diversas regiões do Brasil se reuniram para marchas, debates e eventos culturais, enviando uma mensagem clara à sociedade e aos três Poderes da República: a demanda por demarcação e proteção de suas terras é urgente.
A carta de encerramento do ATL enfatiza que "nossos territórios são a base da vida", afirmando que neles residem as culturas, línguas e modos de organização dos povos originários. "Os caminhos que sustentam o equilíbrio do planeta começam nos territórios indígenas", destacam os participantes, reforçando a importância da demarcação das Terras Indígenas como uma resposta à crise climática.
Uma carta aberta da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) foi direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, expressando preocupação com as eleições de outubro e a possibilidade de ascensão da extrema direita, que poderia ameaçar os direitos indígenas. Embora a Apib declare apoio à candidatura de Lula, ressalta que esse apoio "não é cego", reafirmando a autonomia para exigir políticas efetivas que garantam os direitos dos povos indígenas.
Na manhã do mesmo dia, o governo brasileiro anunciou avanços significativos nas demarcações, por meio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Durante uma cerimônia simbólica no ATL, a nova presidente da Funai, Lúcia Alberta Baré, tomou posse e anunciou a criação de novos Grupos Técnicos para a identificação e delimitação de terras, além de um Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID), entre outras medidas.
Com vasta experiência em assuntos indígenas e sociais, Lúcia é a segunda indígena a assumir a presidência da Funai, sucedendo Joenia Wapichana. Ela afirmou: "Sem território não há vida, não há cultura, não há futuro", destacando a importância das políticas públicas que garantam a vida dos povos indígenas. O líder indígena Raoni Metuktire também reforçou a necessidade de luta pela preservação das florestas e pela demarcação das terras, enfatizando que as futuras gerações dependem disso.
Fonte original
Portal AmazôniaEste artigo foi reescrito com base na matéria original publicada em Portal Amazônia. Acesse o link acima para ler o texto completo na fonte.