Ações internacionais são essenciais para proteger espécies migratórias no Brasil
Carlos Durigan, do IPAM, destaca a importância da cooperação internacional na conservação das espécies migratórias que habitam o Brasil.

Em entrevista à newsletter Um Grau e Meio, o pesquisador Carlos Durigan, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), abordou os desafios enfrentados na proteção das espécies migratórias. Durigan, que possui formação em geografia pela Unesp e é mestre em Ecologia pelo INPA, tem mais de 30 anos de experiência em projetos socioambientais no bioma Amazônia.
Uma espécie é considerada migratória quando realiza deslocamentos periódicos e regulares entre diferentes áreas ao longo de seu ciclo de vida, geralmente por motivos relacionados à alimentação, reprodução ou adaptação a variações ambientais. A Convenção sobre Espécies Migratórias reconhece como migratórias aquelas populações que cruzam fronteiras nacionais, o que torna sua preservação uma questão que exige colaboração internacional.
O Brasil é lar de uma vasta diversidade de espécies migratórias, incluindo peixes, aves e mamíferos aquáticos. Entre os exemplos notáveis estão a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii), um bagre que viaja longas distâncias pela bacia amazônica, e aves como o maçarico-de-bico-torto (Numenius hudsonicus) e a águia-pescadora (Pandion haliaetus), que conectam diferentes hemisférios em suas migrações.
Entre as espécies que merecem atenção global, destacam-se o albatroz-de-tristão (Diomedea dabbenena), ameaçado pela pesca acidental, e a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), que utiliza a costa brasileira em suas rotas migratórias. Também é importante mencionar a baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae), que migra ao litoral brasileiro para reprodução, e a onça-pintada (Panthera onca), a única espécie terrestre brasileira inclusa nos anexos de proteção por estar ameaçada em várias regiões.
As principais ameaças a essas espécies incluem a perda de habitat, sobrepesca, caça ilegal e a poluição. Esses problemas são exacerbados pelas mudanças climáticas, que afetam os ecossistemas aquáticos e terrestres críticos para muitas espécies migratórias no Brasil. Para enfrentar essas questões, Durigan enfatiza a necessidade de ações coordenadas em nível internacional, além da importância de fortalecer as unidades de conservação e garantir a conectividade entre habitats, o que é crucial para a sobrevivência das espécies.
Fonte original
Portal AmazôniaEste artigo foi reescrito com base na matéria original publicada em Portal Amazônia. Acesse o link acima para ler o texto completo na fonte.