Apenas 20% das residências em comunidades do Pará têm energia elétrica pública
Levantamento aponta que, apesar do acesso à eletricidade, a qualidade do serviço é insuficiente em comunidades tradicionais do Pará.

Um levantamento inédito sobre o fornecimento de energia elétrica em comunidades tradicionais do Pará revelou que, embora a maioria das residências tenha algum tipo de acesso à eletricidade, a oferta é inadequada para garantir condições de vida dignas, produtividade e acesso a serviços essenciais.
Os dados indicam que 77% das moradias utilizam energia elétrica, mas essa estatística oculta desigualdades significativas: apenas 32% das casas estão conectadas à rede elétrica, e apenas 20% possuem serviço público formal. Essas informações são parte do estudo "Identificação de demandas para subsidiar políticas de bem viver voltadas às comunidades amazônicas", lançado no dia 30 de março por organizações da sociedade civil.
O estudo abrange 24 comunidades em 13 municípios do Pará, incluindo áreas indígenas, quilombolas e reservas extrativistas, e foi elaborado de maneira participativa, com a colaboração dos moradores na elaboração e aplicação dos questionários. A maioria das comunidades depende de soluções alternativas, sendo que 44% das residências com eletricidade utilizam energia solar fotovoltaica, enquanto 16% ainda recorrem a geradores a diesel.
Os geradores, embora comuns, trazem problemas significativos, como a emissão de gases de efeito estufa, poluição sonora e custos elevados, que podem ser até cinco vezes maiores do que os da rede elétrica convencional. Adicionalmente, 52% das comunidades entrevistadas expressaram insatisfação com o fornecimento de energia elétrica, revelando desafios que vão além do simples acesso, incluindo a qualidade e a continuidade do serviço.
O acesso à energia elétrica é fundamental para diversas atividades produtivas, como pesca e produção de farinha, que estão presentes em 73% das comunidades. Apesar disso, 67% dos entrevistados acreditam que a oferta atual é insuficiente para atender plenamente às suas necessidades. Os dados coletados entre agosto e novembro de 2024 visam subsidiar iniciativas como o Programa Luz para Todos e aprimorar a atuação de instituições como a Aneel e o IBGE, com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Fonte original
Portal AmazôniaEste artigo foi reescrito com base na matéria original publicada em Portal Amazônia. Acesse o link acima para ler o texto completo na fonte.